Rui Pedro Braz entrevistado por A BOLA (foto: André Carvalho)
Rui Pedro Braz entrevistado por A BOLA (foto: André Carvalho)
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Braz revela qual o treinador português que pensou levar para o Al Ahli

Dirigente português fala da compra de Francisco Trincão e explica porque decidiu não avançar por Ríos

Depois da saída atribulada do Al Ahli, Rui Pedro Braz esteve à conversa com A BOLA, naquela que é a primeira entrevista concedida em cinco anos. Neste segundo excerto fala da contratação de Francisco Trincão, com quem acabou por trabalhar pouco tempo, e revela qual o treinador português que quis levar para o clube saudita.

- Contratou o Francisco Trincão mas pouco tempo trabalhou com ele…

- Um profissional extraordinário a todos os níveis, craque dentro e fora do campo. Como o Sedi Kinteh, jovem central ex-Tromso, ou o Eduard Spertsyan, número 10 que contratámos ao Krasnodar. Profissionais de eleição. Tenho muita pena de não ter tido a oportunidade de continuar a trabalhar com eles, mas o futebol é mesmo assim. Eles não precisam da minha presença para render, vão certamente mostrar toda a sua qualidade, que é inegável. São jogadores ainda jovens, e esse era também um dos nossos objetivos, rejuvenescer o plantel, fazer um grupo que possa chegar ao Mundial de Clubes em 2029 – para o qual o clube já está apurado – de forma estabilizada e solidificada. Também muitos dos que já lá estavam, como Mendy, Ibañez, Atangana, Galeno, Saleh, Feras ou Ivan Toney, tudo profissionais de excelência que, estando o clube estruturado e no caminho certo, têm tudo para dar muitas alegrias aos adeptos. Foi um orgulho e um privilégio trabalhar com todos, tal como com o Kessié e o Mahrez, que entretanto saíram por decisão do clube. Se o clube for profissional e entregar o que eles precisam, vão corresponder com distinção. Mas precisam que o clube esteja à altura das necessidades de profissionais deste gabarito. Esse é o segredo para o sucesso.

- Houve alguma brincadeira do Francisco quando soube da sua saída, do género: «Ainda agora cheguei e já vai embora»?

- Pelo contrário. Se calhar alguma desilusão da parte dele, e da minha parte também, por não termos oportunidade de trabalhar mais tempo juntos. Mas do pouco tempo que trabalhei com o Francisco, só posso mesmo dizer que é um profissional de mão cheia, dos melhores com quem alguma vez me cruzei. O rigor que coloca em tudo aquilo que é o trabalho diário, faz dele um exemplo para todos. E depois dentro do campo nem vale a pena falar, todos sabemos da sua qualidade superlativa. Pode jogar de caras em qualquer liga do mundo ao mais alto nível.

Rui Pedro Braz com Francisco Trincão (foto: Arquivo Pessoal)
Rui Pedro Braz com Francisco Trincão (foto: Arquivo Pessoal)

- Tentou levar mais portugueses para lá?

- Não. Para já pela limitação de estrangeiros. Depois porque as tais suspeições iam ganhar uma dimensão ainda maior. Se calhar é um pouco estranho ver o Richard Ríos ir por empréstimo para o Al Ittihad e o Al Ahli não ter feito esse movimento, mas sendo eu ex-diretor desportivo do Benfica, da maneira que as coisas estavam, com uma suspeição absurda e criada sem fundamento… Mesmo a questão do treinador: acabámos por avançar para o Marino Pusic, mas sendo eu da opinião de que os portugueses são dos melhores do Mundo, talvez fizesse muito mais sentido avançar por aí. Óbvio. Mas lá está, fui logo informado pelo clube de que não podia seguir esse rumo, seria mais um foco de discórdia, de suspeição, iam dizer que tinha afastado o Matthias para trazer um treinador português. Uma coisa que não faz sentido nenhum, porque o Matthias sai por opção própria, o Newcastle pagou a cláusula de rescisão. Ele vai para outro clube do PIF. Não é difícil perceber que isto é uma tomada de decisão contra a qual nós não podemos fazer absolutamente nada. Mas de um modo geral, em termos de perceção pública, aquilo que passavam constantemente para os adeptos era de que a situação estava de tal forma deteriorada, que não havia condições para continuarmos a trabalhar. Nada mais falso, porque sempre trabalhámos de forma alinhada, sincera e respeitosa até ao último dia. Por todas estas situações que se iam sucedendo sem nexo algum, daí também o acordo posterior para a minha saída pacífica.

- Chegou a ponderar algum treinador português em concreto?

- Sim, claro. O Vítor Pereira era a minha escolha. Um treinador excepcional, sou grande admirador do seu trabalho. Além disso, tem muita experiência profissional naquele contexto, com passagens pelo Al Ahli e pelo Al Shabab. Se ele iria aceitar ou não, isso já é outra história. Mas se não me tivesse sido vetada essa possibilidade, era claramente o nome para o qual eu teria avançado.

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A segunda parte da entrevista a Rui Pedro Braz, na qual faz o balanço da passagem pelo Benfica, será publicada este domingo.

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