A saída antecipada de Ronaldo e o dilema Vitinha-Neves: tudo o que disse Jorge Jesus
Portugal venceu na Noruega, por 2-1, mas o tema que dominou a conferência de Imprensa pós-jogo de Jorge Jesus foi a saída de Cristiano Ronaldo para os balneários assim que soou o apito final. O selecionador das Quinas vincou que «conhece muito bem» o astro, mas admitiu que terá «de falar» com ele. Equipa mereceu elogios pela exibição que fez na capital norueguesa.
— Foi uma grande vitória em termos táticos e de resultados. Pareceu que a equipa esteve irrepreensível...
— Quando ganhas em Oslo, neste caso à Noruega, tens de estar muito bem. Uma equipa muito boa do ponto de vista atlético, técnico e até tático, sabem encontrar espaços muito bem. Esta equipa está muito bem treinada. Foi uma vitória em que acreditámos que podíamos ganhar aqui. Trabalhámos em função da nossa organização defensiva, para depois, ofensivamente, sermos uma equipa mais criativa do que contra Gales. Foi o que aconteceu. Parabéns aos jogadores, agora é recuperar, que a Dinamarca está já aí. Mas foi uma excelente vitória.
— Gonçalo Ramos justifica a titularidade já na Dinamarca? E o que se passou com Ronaldo?
— O facto de o Gonçalo ter feito o golo não justifica isso, como não justifica ao Félix, que leva dois golos, por exemplo. Cada jogo tem uma estratégia, uma dinâmica. Tenho de escolher os melhores para cada jogo. O Cris não jogou porque o jogo modificou as minhas ideias, queria que ele jogasse na segunda parte, mas achei que não era o momento para pô-lo no jogo. Não quer dizer que não seja ele a jogar na Dinamarca, também sou capaz de mexer na equipa em quatro ou cinco posições, como aconteceu aqui.
— Pelo legado que Ronaldo tem, custa-lhe ver que ele não agradeceu no final?
— Eu acredito a 100% em vocês, mas nem me apercebi. Já me fizeram várias questões em relação a isso. Só ele é que pode responder. O que é um facto é que não é por hoje não ter jogado que seja um jogador com o qual não conto. Conto com ele, disse-lhe que não ia pô-lo de início, mas que ia colocá-lo no jogo. Mas o futebol é isto, dita coisas e eu achei que não justificava colocar um ponta de lança com as caraterísticas do Cris, sabendo que temos jogo com a Dinamarca. Não quer dizer que não possa ser primeira opção.
— Vai falar com Cristiano sobre esta situação?
— Tenho de falar com ele, como é óbvio. Mas conheço-o muito bem, a Seleção é a Seleção. Não é o mesmo que um clube, mas isto não é nenhuma novidade para mim. A Seleção é de todos nós e eu não sei responder concretamente em relação ao pensamento dele. Só depois de falar com ele é que saberei.
— O selecionador da Noruega disse que a equipa dele criou mais oportunidades e que merecia ter ganho. O que acha?
— É a opinião do meu colega, que tenho de respeitar. Viu um jogo diferente do meu. Nós não chegámos tantas vezes ao golo, mas as vezes em que chegámos, fizemos. Quatro situações, três foram golo e outra era possível golo, foi anulado. A Noruega teve uma ou outra oportunidade, no jogo aéreo, onde o Haaland é muito perigoso. Os jogadores grandes são assim, mas acho que o Renato Veiga e o Rúben Dias estiveram muito bem, principalmente na segunda parte. Na primeira ainda deixámos o Haaland fazer algumas finalizações de cabeça. O Palhinha fez coisas importantes a nível defensivo. A equipa esteve bem na primeira parte a controlar as diagonais, não tanto a fechar os cruzamentos, mas não gosto muito de comentar a opinião dos meus colegas, tenho a minha forma de ver o jogo.
— João Neves adequa-se mais ao seu modelo de jogo do que Vitinha?
— Quando jogas de três em três dias, muitas vezes a alteração tem a ver com a condição física. Se perguntar pelos dois, num patamar normal, sem fadiga... Adapta-se mais o Vitinha, tem outras dinâmicas. Mas o João também as tem. Estão muito ligados pelo que fazem no PSG. Mas o Vitinha não pode ser médio defensivo como no PSG, não pode estar amarrado. Na Seleção dou-lhe outra responsabilidade e cada vez vai fazer melhor.
— Sente que o erro de Nyland foi decisivo para a vitória?
— Se eu analisar para o jogo e achar que Portugal teve a sorte do jogo porque tecnicamente um jogador falhou… Sinto que não podemos analisar por aí, porque, caso assim seja, sempre que um jogador falhar passes é a sorte do jogo.
— Porque é que os treinadores portugueses fazem a diferença no Brasil?
— Porque os treinadores nestes últimos 10 anos criaram uma metodologia de treino que não é igual para todos, porque o treino é criatividade, mas uns vão copiando os outros. Isso faz com que essa qualidade faça a diferença, quando esses treinadores estão à frente de equipas com qualidade. Os jogadores também são fundamentais para o crescimento do treinador. Somos uma grande escola de treinadores, seguramente a melhor do mundo, não tenho dúvida.
— Por que motivo Cristiano Ronaldo não entrou durante o jogo?
— Essa questão vai-se colocar face ao facto dele não ter jogado… Todos me fazem essa pergunta: porque é que o Cris não jogou? Já respondi e expliquei, achei que face ao resultado, dentro do limite para o jogo dele, que era a última meia hora, tomei opção por outros jogadores.