Rosa Mota distinguida pela Fundação Ilídio Pinho (foto: CM Lisboa)
Rosa Mota distinguida pela Fundação Ilídio Pinho (foto: CM Lisboa)

A antiga campeã olímpica Rosa Mota foi galardoada com o Grande Prémio da Fundação Ilídio Pinho, numa cerimónia que decorreu esta terça-feira, dia do seu 68.º aniversário, nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa. A atleta tornou-se assim a primeira mulher a receber a mais alta distinção atribuída pela fundação.

O evento contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e de várias figuras da vida institucional, cultural, científica, económica e desportiva do país. O prémio, reconhecido pelo seu prestígio, equipara-se a outras distinções nacionais de relevo, como o Prémio Pessoa e o Prémio Camões.

Antes de Rosa Mota, apenas três personalidades tinham recebido este galardão: o Cardeal D. José Tolentino de Mendonça, o Arquiteto Álvaro Siza Vieira e o General António Ramalho Eanes. A campeã olímpica tinha direito a um prémio monetário de 100 mil euros, mas ao que A BOLA apurou, prontamente recusou receber a verba, tal como já tinha feito Ramalho Eanes.

A Fundação Ilídio Pinho justificou que a distinção homenageia um percurso que transcende o desporto. Rosa Mota é vista como um exemplo de cidadania, solidariedade e serviço comunitário, tendo usado a sua notoriedade para apoiar causas sociais e humanitárias. O seu legado é associado a valores como a perseverança, a humildade e o espírito de missão, inspirando gerações de portugueses.

No seu discurso de agradecimento, a homenageada sublinhou que o seu maior legado não são as medalhas, mas sim a ligação afetiva com os portugueses, especialmente as comunidades emigrantes.

«O que quero hoje lembrar aqui não são as medalhas nem os resultados. Quero falar-vos dos portugueses, os muitos portugueses que saíram das suas casas para vir ter comigo, em particular no estrangeiro.»

Recordando a sua vitória na São Silvestre de São Paulo, em 1981, Rosa Mota descreveu a emoção de ouvir o hino nacional pela primeira vez em sua honra, junto da comunidade portuguesa. «Foi a primeira vez que ouvi o hino português ser entoado para mim. Um hino acompanhado de bandeiras. Um hino acompanhado de lágrimas. A expressão intensa de uma saudade que eu desconhecia. Para aqueles portugueses ali, eu era um pedaço do Portugal que tinham deixado para trás e que tanta falta lhes fazia», acrescentou.

A antiga atleta referiu ainda que o prémio a fez refletir sobre o seu papel como embaixadora de Portugal junto das comunidades na diáspora. «Este prémio fez-me olhar para trás e perceber ainda melhor a importância desta Portugalidade. Onde quer que vá, sei que levo um pouco de Portugal comigo a quem dele precisa e regresso com um Portugal maior, o dos portugueses espalhados pelo mundo.»

Para concluir, Rosa Mota garantiu que a distinção representa um compromisso renovado para continuar a servir o país. «Este prémio inspirar-me-á a continuar a levar Portugal comigo», finalizou.

Cerimónia decorreu na CM Lisboa (créditos: CML)

A iniciar sessão com Google...