O Benfica e ‘esta’ centralização
AS Assembleias Gerais do Benfica, realizadas no passado sábado, correram bem a Rui Costa, e a aprovação do plano de atividades e orçamento para a próxima época vai permitir ao clube um início de temporada em clima de estabilidade.
Porém, os encarnados não se têm mostrado lestos a recompor o plantel, numa altura em que Marco Silva já está a trabalhar e haverá jogos de acesso à fase de grupos da Liga Europa que terão de ser vistos pelo Benfica como se fossem de preparação.Com vários jogadores espalhados pelas seleções que disputam o Mundial, e ainda com as dúvidas que envolvem, por razões diversas, a continuidade de alguns desses e de outros, Rui Costa e Mário Branco deverão acelerar o passo para, de acordo com o que é pretendido por Marco Silva — evitando que seja «cada cor seu paladar», como diziam antigamente os pregões dos vendedores de gelados — criar um grupo coeso e coerente.
Apesar de ter desbaratado, ao longo da última época, boa parte do crédito que tinha junto dos sócios, Rui Costa ainda teve condições para encarar o pós-mourinhismo, passando entre os pingos da chuva, em boa parte também devido à aprovação que mereceu a chegada de Marco Silva.
Porém, da Assembleia Geral da tarde de sábado, para lá de algumas ameaças ocas de «tolerância zero» à FPF e à arbitragem, resultou uma tomada de posição, veiculada por Nuno Catarino, relativa à venda centralizada dos direitos televisivos, que mostrou, por um lado, como esse processo está longe de ser dado por terminado, e por outro a determinação do Benfica de se manter fiel ao que sempre disse sobre esta matéria: «desde que não recebamos um euro a menos, que seja, relativamente ao que conseguimos, não nos opomos a que um aumento de receitas seja distribuído pelos restantes clubes.»
Se a divergência se mantiver, se na altura de se saber quanto é que as operadoras estão dispostas a pagar pelo nosso futebol profissional — e será esse o valor do produto e não qualquer dos números que há anos vêm sendo adiantados — e se o Benfica entender que assim não vai a jogo, ficou a saber-se que seguirá a via dos tribunais, o que pode representar uma péssima notícia para uma reforma que foi imposta administrativamente.
A NOTÍCIA da saída de Duarte Gomes da Direção Técnica da Arbitragem da FPF não augura nada de bom. Competente, sempre a procurar fazer pedagogia (foi o que conseguiu, sempre numa perspetiva construtiva, nos muitos anos em que esteve no comentário ao desempenho dos árbitros), o antigo árbitro internacional, sendo solidário com a classe, fugiu sempre a duas coisas que parecem ser sagradas para o setor, dentro e fora de portas: o corporativismo e a opacidade.
Já o disse, apesar de terem sido lançados demasiados árbitros sem experiência em jogos nos quais se aconselhavam juízes com outro traquejo, houve sempre, ao longo da última época, possibilidade de acompanhar a forma como eram avaliados, o que responsabilizava, internamente, e credibilizava, externamente.
Sem querer fazer juízos apressados, não posso deixar de dizer que haverá uma atenção redobrada, no pós-Duarte Gomes, aos comportamentos que vão ser adotados. Porque um modelo de independência do setor só vingará se, como em qualquer empresa que se queira bem gerida, existir o primado da meritocracia, separando-se, sem tibiezas, o trigo do joio.
FOTOLEGENDA
DIOGO COSTA. Antes do início do Mundial apontei o guarda-redes do FC Porto como a minha aposta de destaque da equipa de Portugal no Mundial da América do Norte. Depois de algumas hesitações na partida com a RD Congo, e de ter ganho confiança e ambientação ao torneio no jogo contra o incipiente Uzbequistão, Diogo Costa exibiu-se em grande plano frente à Colômbia, executando uma mão cheia de defesas de alto nível, que permitiram (isso e o número avantajado de chuteira de Davison Sánchez) que a Seleção Nacional não saísse derrotada de Miami. Contra a Croácia queremos o mesmo nível de inspiração!
CAPA
Gonçalo Ramos, novo Diabo ‘rossonero’
O AC Milan pagou ao PSG 70 milhões de euros pelo algarvio formado no Benfica (que ainda vai receber mais alguma coisa…), e Ruben Amorim, treinador dos ‘rossoneri’, deve estar satisfeito com a decisão de Roberto Martinez de manter o seu novo pupilo em doca seca, preservando-o, assim, de qualquer percalço físico e permitindo-lhe um descanso que o fará mais forte no início de temporada, em Itália.
CARTAS
ÁS
Bubista
O que vou escrever não tem nada de neocolonialista, apenas representa a minha satisfação genuína pelo sucesso de Cabo Verde, um País de gente calorosa, orgulhosa da sua identidade, que sempre esteve ao lado de Portugal nas grandes competições internacionais. Grandes ‘Tubarões Azuis’.
ÁS
Ricardo Quaresma
Assertivo, o fantasista campeão da Europa colocou o dedo na ferida após o jogo com a Colômbia. Houve falta de compromisso defensivo (até nos pontapés de canto dos ‘cafeteros’, que quando saíam a jogar curto ficavam logo dois para um!), e demasiado ‘conforto’. Conformados com quê?
REI
Roberto Martinez
Apesar do apuramento de Portugal para a fase de mata-mata (daí Rei e não Duque), que gestão anda o selecionador nacional a fazer? Que sentido faz ter dado, até agora, todos os minutos a Cristiano Ronaldo? Messi, com a Jordânia, jogou apenas a última meia hora e marcou um golo…