Mundial
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Olhar mais para dentro
Terminada a Fase de Grupos e em três jogos vimos três versões distintas de Portugal. Não tanto pela natureza dos adversários, mas muito mais pela forma como Roberto Martinez continua a não perceber o que tem em mãos.
Frente à RD Congo, Portugal falhou coletivamente no plano ofensivo. A inexistência de jogo interior em virtude de posicionamentos que procuraram sobrecarregar o corredor lateral onde se encontrava a bola foi fatal para que a seleção nacional tivesse apresentado um futebol pouco criativo e dinâmico.
Contra o Uzbequistão, com posicionamentos e comportamentos adequados às características dos jogadores que compunham o onze inicial, Portugal dominou e controlou com bola. Teve jogo interior e jogo exterior. Foi rápido a reagir à perda de bola e eficaz na transição defensiva. O adversário não era de renome, mas coletivamente houve mérito e trabalho luso.
A Colômbia trouxe-nos uma versão portuguesa incapaz nos momentos sem bola e inexistente nos momentos com bola. O onze inicial, ainda que com apenas uma alteração face ao jogo anterior, teve posicionamentos e comportamentos que em nada abonaram a favor de Portugal.
Rúben Neves sem bola a fechar sobre a meia direita para ajudar João Cancelo a fazer 2 vs 1 defensivo sobre Luis Diaz desprotegeu o corredor central, permitindo situações de 2 vs 1 ou 3 vs 2 favoráveis aos cafeteros. Com bola, o médio do Al Hilal não foi 6, mas sim 8, com claro prejuízo para a dinâmica ofensiva da seleção.
Os laterais estiveram sempre muito amarrados taticamente, como se mais importante do que ajudar o ataque fosse não permitir espaços a James Rodriguez e Luis Diaz. Pedro Neto raramente teve apoio por fora, João Félix nunca pôde deambular entrelinhas em zonas interiores porque não havia quem desse largura e profundidade sobre a esquerda.
Portugal tem um dos melhores selecionados deste Mundial. Em quantidade e em qualidade. Individualmente tem alguns dos melhores laterais e médios do mundo. Tem o maior finalizador da História do futebol mundial. Mas não tem o mais importante (ainda): um líder que saiba aproveitar o talento que tem à sua disposição para construir um coletivo forte e competente. Independentemente de quem seja o adversário. Independentemente do estilo de jogo do adversário.
Está na hora de Portugal olhar mais para dentro e menos para fora. Preocupar-se menos com quem vai defrontar e mais com a maneira como quer ganhar. Respeitar, sim, temer, nunca. Ter mais desejo de ganhar do que medo de perder.