Instagram/Aryna Sabalenka
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Sabalenka: «Percebo porque as pessoas pensam que sou uma cabra»

Antes de seguir para Wimbledon, Aryna Sabalenka falou sobre os preconceitos que enfrentou ao longo da sua carreira e explicou raiva que a levou a dizer que queria deixar o ténis depois de perder em Roland Garros

Embora seja considerada uma das personalidades mais positivas no mundo do ténis, a bielorrussa Aryna Sabalenka está ciente de que, à primeira vista, não transmite essa impressão. Segundo ela, devido às suas feições específicas e à sua postura 'fria', as pessoas frequentemente têm uma opinião completamente errada sobre si.

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Sabalenka não esconde que está ciente de como a sua aparência afeta as pessoas ao seu redor, independentemente de onde esteja. «Quando me vês pela primeira vez, provavelmente vais pensar que sou uma cabra por causa da minha face eslava. Não ajuda», explicou Sabalenka em entrevista ao jornal The Guardian, referindo que exagera as feições para demonstrar uma expressão severa e sem sorrisos. «Quando ando com esta cara séria e sem emoções, posso parecer muito agressiva. Por isso, entendo por que algumas pessoas pensam que sou uma cabra. Quando me conheces melhor, percebes que é algo com que nasci.»

E recordou como foi quebrar barreiras com aquela que é agora a sua melhor amiga no circuito, Paula Badosa. «Quando nos conhecemos, disse-lhe abertamente: 'Meu Deus, pensei que eras uma cabra!', e ela respondeu-me de imediato: 'E eu pensei que tu eras uma cabra!'. Então, disse-lhe que, já que isso obviamente não era verdade, podíamos ser amigas. Percebemos que, na verdade, somos muito parecidas, e que tudo aquilo é apenas uma máscara e uma atitude que adotamos em campo.»

Há menos de um mês, chocou o mundo do ténis ao declarar que queria abandonar a modalidade. A afirmação surgiu após uma derrota difícil de digerir nos quartos de final do Open de França, um dos quatro principais torneios do circuito. Depois de uma exibição dominante contra Naomi Osaka nos oitavos de final, Sabalenka parecia ter o caminho livre para o quinto título do Grand Slam, especialmente com as suas principais rivais já eliminadas. No encontro dos quartos de final, contra a número 25 mundial, Diana Shnaider, tudo parecia encaminhado: venceu o primeiro set por 6-3 e liderava por 5-3 no segundo, mas acabaria por perder dez jogos consecutivos - Shnaider venceu os dois sets seguintes por 7-5 e 6-0.

Sabalenka confessou então: «Só quero deixar o ténis agora mesmo». Agora, voltando ao tema de Paris, a tenista revelou, com um sorriso, que esperou uma hora e meia antes de falar à imprensa para se recompor. «Na verdade, demorei uma hora e meia antes de dar aquela conferência de imprensa e pensei: 'OK, estou melhor agora'. E depois fui para lá e disse: 'Quero deixar o ténis!'». Questionada se se arrependeu do que disse, a resposta foi negativa. «Na verdade, achei que estive muito bem», afirmou, explicando a sua frontalidade. «O que esperam que eu diga se me perguntam como me sinto num momento daqueles? 'Sinto-me ótima, sinto-me fantástica'?».

Conhecida pelos seus potentes gritos no court, garante ser uma pessoa completamente diferente fora da competição, onde prefere evitar conflitos e espalhar alegria, seja através de fatos à medida ou joias desenhadas para cada grande competição, como as que apresentou agora para o Grand Slam londrino.

Acusada de usar gritos de 100 decibéis como arma para desestabilizar as adversárias, Sabalenka nega veementemente. Questionada se tal comportamento se estende à sua vida quotidiana, a tenista mostrou-se horrorizada com a ideia. «Não! Acho que é muito difícil entrar em conflito comigo. É preciso fazer algo muito, muito doloroso. É preciso trair-me. Na vida real, não gosto de conflitos», afirmou, acrescentando que se considera uma pessoa diferente fora do court.

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