Reforço mantém o faro e entrou para o xeque-mate (crónica)
O confronto entre duas das propostas de jogo mais interessantes da Liga 2025/26 não desiludiu. Uma semana depois da goleada ao Famalicão noutro dérbi minhoto, o Gil Vicente de César Peixoto bateu, ontem, o Moreirense (2-1), somando a segunda vitória consecutiva e ultrapassando o SC Braga — recebe hoje o Rio Ave — no 4.º lugar, ainda que à condição. A chave da vitória estava no banco: Héctor Hernández, reforço de inverno, entrou e resolveu, conferindo justiça ao resultado final.
Quem assistiu à primeira meia-hora dificilmente adivinharia que a partida acabaria por assumir contornos emocionantes. Quiçá demasiado cautelosos, galos e cónegos foram apalpando terreno. Avessos ao risco, não criaram uma oportunidade para amostra — André Ferreira e Lucão (mesmo com chuva!) quase não sujaram as camisolas —, mas o final da primeira parte trouxe um turbilhão que acabou por desatar o nó. Álvaro Martínez fez corte defeituoso e, como se não bastasse, cometeu penálti sobre Santi García — que bela exibição! Apesar dos protestos dos anfitriões, David Silva não hesitou e expulsou o lateral espanhol, seguido de Vasco Botelho da Costa, por protestos. Na conversão, com tranqulidade e classe, Murilo não tremeu. 1-0 para o Gil e tarefa muito complicada para o Moreirense, reduzido a 10 elementos a partir dos 39 minutos.
Como seria de esperar, os visitantes entraram na segunda parte em busca do golo da tranqulidade. Não surgiu, houve algum abrandamento e aproveitaram os cónegos. Diogo Travassos encheu-se de fé do meio da rua e atirou a contar. Lucão, mal colocado na baliza, não ficou lá muito bem na fotografia.
O empate teve o condão de fazer tocar (novamente) o despertador dos gilistas, que voltaram a carregar. César Peixoto, importa dizê-lo, mostrava astúcia no banco. Ao lançar Joelson Fernandes, por exemplo, ganhou o flanco esquerdo e injetou imprevisibilidade. Mas o ás de trunfo estava guardado para os 75', com a entrada do reforço Héctor Hernández.
Já depois de cortes providenciais de Maracás e Kevyn Souza e de uma defesa milagrosa de André Ferreira, o Gil Vicente desenhou, no laboratório, o tento da vitória. Joelson Fernandes levantou para a grande área, Buatu tocou para zona de finalização e o ponta de lança espanhol, todo ele instinto matador, apareceu a faturar. Héctor não perdeu o faro mostrado em Chaves, entre 2022 e 2024, e resolveu. Ainda assinou o bis, anulado por fora de jogo de Gustavo Varela. Novo triunfo gilista e o recorde de pontos mais perto: só faltam 16...
As notas do Moreirense: André Ferreira (6); Dinis Pinto (5), Gilberto Batista (5), Maracás (6) e Álvaro Martínez (3); Afonso Assis (5) e Rodrigo Alonso (5); Diogo Travassos (6), Alan (5) e Landerson (4); Yan Maranhão (4)
Suplentes utilizados: Francisco Domingues (5), Luís Semedo (4), Kevyn Souza (5), Nile John (4) e Kiko Bondoso (4)
As notas do Gil Vicente: Lucão (5); Zé Carlos (6), Buatu (6), Marvin Elimbi (6) e Konan (5); Facundo Cáseres (6) e Luís Esteves (6); Murilo (6), Santi García (7) e Tidjany Touré (5); Carlos Eduardo (5)
Suplentes utilizados: Joelson Fernandes (7), Gustavo Varela (6), Zé Carlos Ferreira (6), Agustín Moreira (5) e Héctor Hernández (7)
André Lourenço (treinador-adjunto do Moreirense)
Menção aos nossos adeptos, que nos ajudaram muito a batalhar na segunda parte. Até à expulsão houve equilíbrio, não há oportunidades para as duas equipas, salvo erro. A expulsão desequilibra o jogo. Hoje em dia, é muito difícil jogar com menos um. A nossa equipa fez um trabalho imenso. Depois, houve erros que nos custaram caro. Dar os parabéns aos nossos jogadores. Foram incansáveis. Foi uma questão de pormenor, o resultado.
César Peixoto (treinador do Gil Vicente)
Ajustámo-nos e, a partir dos 10 ou 15 minutos tomámos conta do jogo. Mais agressivos, mais incisivos... O penálti e o 1-0 facilitam-nos um pouco a vida. Pusemo-nos a jeito no início da segunda parte e o Moreirense acaba por empatar com um golo caído do céu. Depois, estivemos sempre por cima e acaba por surgir o segundo golo. Fomos justos vencedores perante uma boa equipa, com excelentes jogadores. Mas acho que fomos mais fortes. Recorde de pontos? Vamos jogo a jogo e no fim fazem-se as contas.