Quem diria que este United afinal sabe jogar muito bem? (crónica)
O Manchester United venceu o Tottenham, por 2-0, ao início da tarde deste sábado, em Old Trafford, em jogo da 25.ª jornada da Premier League. Foi a quarta vitória consecutiva do treinador interino Michael Carrick, que assumiu o cargo após o despedimento de Ruben Amorim.
Na reedição da final da Europa League da última época, mas com treinadores diferentes, a equipa da casa desde cedo mostrou que as boas sensações não são produto da típica chicotada, mas algo mais sólido e pensado, o que leva a crer que o trabalho de Michael Carrick ainda (?) na condição de interino, é muito mais que um treinador à procura de colocar remendos.
Os red devils foram sempre muito compactos, agressivos no momento da perda, e num jogo em que os três médios circulavam muito a bola entre si, com poucos toques e muito critério, sobressaindo a capacidade criadora de Bruno Fernandes (mais um grande jogo do português), a verticalidade de Casemiro (muitas chegadas à área e sempre com perigo) e o jogo compassado de Kobie Mainoo, um proscrito de Amorim mas que tem vindo a assumir protagonismo na forma como garante fluidez ao jogo.
Os Spurs, afetados com muitos lesionados e sob enorme tensão dentro e fora de portas, nunca lograram construir uma jogada com cabeça, tronco e membros. Por ausência de um fio condutor, mas fundamentalmente fruto da grande pressão exercida pelos red devils. E tudo ficou pior após a expulsão de Romero (a sexta pelo clube), após uma entrada sobre Casemiro.
Por estratégia, o United procurou chegar à área dos londrinos em transições rápidas e com poucos toques, um tipo de futebol em que estes jogadores parecem sentir-se confortáveis. Vicario foi adiando o 1-0 com ótimas defesas, mas curiosamente o golo inaugural apareceu através de bola parada, por Mbeumo, após um canto estudado, iniciado por Bruno Fernandes, daquelas jogadas que fazem qualquer equipa técnica sentir orgulho no trabalho feito.
Na segunda parte, e com mais um elemento em campo, o Manchester United manteve o mesmo controlo e apesar de só ter um golo de vantagem nunca perdeu a cabeça na busca do segundo, numa demonstração de maturidade que andou escondida durante muito tempo sob a égide do ex-técnico do Sporting.
À exceção de um pau passe de Luke Shaw que permitiu o remate perigoso de Xavi Simons, a formação da casa quase não teve erros e esperou pelo momento certo para confirmar a vitória, no caso através de Bruno Fernandes, concluindo ao segundo poste um cruzamento de Diogo Dalot, lateral que voltou às origens e que, apenas e só no seu corredor, voltou a fazer a diferença pela positiva.
Um triunfo merecido, indiscutível, que não só mantém o United nos quatro primeiros da tabela, mas que evidencia uma clarividência pouco vista até há um mês, deixando no ar a possibilidade de a transformação não ser apenas circunstancial e ter muito o dedo de Carrick. Para já, esta equipa joga e produz momentos de espetáculo. Afinal, sempre se trata do Teatro dos Sonhos... que andam há muito adiados.