Dragões alegam que existiu agressão do médio dinamarquês no Sporting-Aves SAD da Taça de Portugal

Queixa portista contra Hjulmand: o que diz o regulamento

Dinamarquês pode enfrentar suspensão pesada: de um a quatro jogos se for jogo violento, de dois meses a dois anos se for agressão

O clássico terminou empatado a uma bola, mas continua fora das quatro linhas, a um nível diferente. O FC Porto apresentou uma queixa ao Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) contra Hjulmand por suposta agressão do capitão do Sporting ao jogador do Aves SAD Tiago Galletto, aos 115 minutos da partida dos quartos de final que os leões venceram por 3-2, após prolongamento, na passada quinta-feira.

Com base nas imagens da RTP, o FC Porto considera que ficou por exibir um cartão vermelho ao dinamarquês, que o inibiria de defrontar os dragões na 21.ª jornada do campeonato. Não tendo havido por parte do árbitro André Narciso ou do VAR Bruno Esteves qualquer tipo de intervenção, os dragões decidiram agir e fazer a denúncia ao CD.

Os azuis e brancos entendem que Hjulmand deve ser punido e para isso usam imagens da bodycam do árbitro da partida, em que, na parte final, se percebe que o jogador avense é atingido na cabeça, pretendendo o levantamento dessas imagens.

Segundo o Regulamento Disciplinar (RD) da Liga Portugal, entradas duras ou agressões que passem despercebidas ao árbitro em campo podem ser sancionadas posteriormente através de imagens televisivas, num processo que pode resultar em suspensões pesadas.

O mecanismo legal, previsto no Artigo 258.º, permite a instauração de um processo sumário baseado em ‘flagrante delito’ comprovado por vídeo. Para tal, basta que um clube apresente uma participação (denúncia), alertando para a infração que as câmaras captaram, mas o juiz da partida ou VAR não viram.

A gravidade do castigo depende da forma como a secção disciplinar tipifica o lance: jogo violento ou agressão. O primeiro cenário implica uma disputa de bola na qual o jogador usa força excessiva, colocando em risco a integridade física do adversário (pisões graves, entradas de carrinho imprudentes, etc.).

No caso de Hjulmand, contudo, o lance acontece já depois do choque com Tiago Galletto, quando cai ao chão e rebola sobre si mesmo. Se o CD enquadrar o lance no Artigo 154.º (prática de jogo violento), o jogador enfrenta uma suspensão entre um e quatro jogos e multa de entre 3 UC e 25 UC, ou seja, 306 a 510 euros.

Num cenário de agressão, se as imagens provarem que não houve disputa de bola e que existiu uma intenção deliberada de magoar (cotoveladas intencionais, cabeçadas, pontapés sem bola), o caso muda de figura. A infração deixa de ser jogo violento e passa a agressão (Artigo 145.º). Neste cenário, as sanções deixam de ser contadas em jogos e são definidas por períodos de tempo, agravando substancialmente a penalização: agressão sem lesão grave: suspensão de 2 meses a 2 anos. Agressão com lesão de especial gravidade: suspensão de 6 meses a 4 anos.