Jhon Arias policiou bem Cristiano Ronaldo que, ainda assim, teve algumas oportubidades para rematar à baliza - Foto: Miguel Nunes
Jhon Arias policiou bem Cristiano Ronaldo que, ainda assim, teve algumas oportubidades para rematar à baliza - Foto: Miguel Nunes

Quatro voos do anjo Diogo garantem nulo enganador (crónica)

Portugal melhorou um pouco na segunda parte com as entradas de Diogo Dalot e João Neves, soube sofrer perante a armada colombiana e garantiu nulo sob o calor intenso da Florida. Segue-se a Croácia

MIAMI — O futebol tem destas partidas de xadrez em que o equilíbrio se conquista ao milímetro. Quem viu a Seleção Nacional recolher aos balneários do Hard Rock Stadium sob o sufoco asfixiante do carrossel cafetero, percebeu que a segunda parte exigia mais critério do que uma revolução.

Roberto Martínez leu o tabuleiro com lucidez e ajustou peças para estancar a vertigem adversária. As entradas de Diogo Dalot e João Neves permitiram a Portugal dividir as despesas do jogo, resgatando preciosos minutos de posse de bola e acalmando o vulcão que ameaçava incendiar a nossa retaguarda.

A nova ordem em campo trouxe um crescimento gradual e o manifesto de revolta luso não tardou a fazer-se notar. Logo aos 51', Diogo Dalot, saído do banco para colocar um colete de forças em Luis Díaz, subiu pelo flanco direito e desenhou um cruzamento perfeito, daqueles com conta, peso e medida. A bola viajou com precisão geométrica até João Félix, que testou os corações sul-americanos com um cabeceamento ligeiramente por cima da trave. Não foi golo, mas o aviso estava dado: Portugal já não passava o tempo apenas a defender; conseguia ferir e assustar no ataque.

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Contudo, um animal ferido no seu próprio continente é sempre um perigo latente e a Colômbia nunca perdeu o controlo emocional da partida. Impulsionada pelo rugido imparável das bancadas amarelas, a formação colombiana respondeu com a fúria que lhe é caraterística, obrigando a dupla de centrais lusa a assinar o melhor jogo até agora no torneio.

Diante do calvário físico e mecânico de um visivelmente fustigado Nuno Mendes na ala esquerda, os centrais multiplicaram-se em dobras e coberturas, limpando os caminhos da grande área com uma sobriedade que se revelou absolutamente imperial. O miolo ganhou outra coesão com a energia contagiante de João Neves, mas o perigo rondava a baliza lusa com uma ironia deliciosamente doméstica.

Com as entradas de Richard Ríos e Luis Suárez, o dérbi eterno da Segunda Circular de Lisboa mudava-se para Miami. Ríos quase quebrou o nulo aos 62 minutos, num disparo de primeira que raspou a tinta do poste. Pouco depois, aos 65’, foi Luis Díaz a criar perigo numa rotação supersónica, aproveitando uma nesga de espaço na esquerda para obrigar a nossa linha defensiva a olhar, mais uma vez, nos olhos do abismo.

Foi então que o jogo se transformou num thriller de alta tensão, elevando, novamente, ao estatuto de lenda o guardião das quinas. Naquela que ficará recordada como uma noite de consagração, o nosso anjo da guarda operou milagres.

Aos 66', Arias disparou, mas Diogo Costa voou para segurar o nulo. Logo a seguir, aos 74’, James Rodríguez armou um míssil potentíssimo, mas chocou contra a coragem de Renato Veiga, um titã sempre no sítio certo à hora certa.

A vinte minutos do fim, Martínez lançou o músculo de Samú Costa e a velocidade de Rafael Leão, o homem que trazia na passada larga a memória do golo frente ao Uzbequistão. Portugal quis crescer e empurrou a Colômbia a dez minutos do fim, mas a reta final guardava um drama apocalítico. Aos 88', Rúben Dias vestiu a capa de herói para afastar um golo certo em cima da linha e, no segundo seguinte, Diogo Costa assinou a sua quarta grande defesa da noite.

O verdadeiro golpe de teatro chegou aos 90+1’. A Colômbia chegou a gritar golo num lance que traria justiça ao marcador, mas o VAR descortinou um fora de jogo milimétrico e salvador.

Com este sofrido 0-0, Portugal garante o segundo lugar do Grupo K e carimba o passaporte para Toronto, onde defrontará a Croácia nos 16 avos de final, na madrugada de dia 3 de julho.

No outro jogo do grupo, a RD Congo bateu o Uzbequistão por 3-1 em Atlanta, com Shomurodov a faturar para os uzbeques, e Mayele e um bis de Wissa a darem a volta.

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