Campeã europeia dos 5.000 m livrou-se de problemas médicos comendo carne de avestruz
Nadia Battocletti, com a bandeira de Itália, a medalha de ouro ao pescoço e uma coroa na cabeça tornou-se numa das imagens do álbum da edição de 2026 dos Campeonatos Europeus de Birmingham. A fundista de 26 anos não é estranha ao triunfo continental, depois de em 2024, em Roma, ter concretizado a dobradinha nos 5.000 e 10.000 metros.
Feito que pretende repetir, tendo já cumprido metade do objetivo com a vitória nos 5.000m, naquela que foi a final europeia mais lenta da história desta prova. Detalhe estatístico que não afeta em nada Nadia, que também tem no palmarés a prata olímpica e mundial nos 10.000m, em Paris 2024 e Tóquio 2025, respetivamente.
Em Birmingham, conquistou o ouro ao lançar um sprint imbatível quando faltavam 250 metros para a meta. Foi seguida pela espanhola Marta Garcia e pela também italiana, Micol Majori.
«Senti-me forte hoje, foi uma corrida tática»
«Estou muito feliz e grata pelo meu desempenho. Senti-me forte hoje. Foi uma corrida tática, quando cheguei à última volta senti que era altura de forçar mais, podia ser arriscado, mas quando passei para a frente, estava decidida a não ceder a posição», declarou após a corrida, citada pela European Athletics.
Treinada pelo pai, Giuliano, antigo corredor de médias distâncias e maratonista, Nadia é de origem marroquina – a mãe, Jawhara Saddougui, também praticou atletismo e é muçulmana praticante.
Especializada inicialmente em corta-mato, Battocletti virou-se para a pista de atletismo no verão de 2024, nos Jogos Olímpicos de Paris: primeiro, classificou-se em 4.º lugar nos 5.000 metros, com o tempo de 14.35,29, depois conquistou a medalha de prata nos 10.000 metros, em 30.43,35.
Desde então, não parou e já soma: três pódios em Campeonatos Mundiais – prata e bronze nas provas de fundo no verão passado em Tóquio e ouro nos 3.000 metros em pista coberta em março; 12 em Europeus de Corta-Mato: e duas em Euros de corrida de estrada.
Nadia Battocletti, falta de ferritina tratada com carne de avestruz
Se em Birmingham se sentiu forte, há alguns meses, passou por um período curto, mas difícil, que superou de forma inesperada, como revelou. «Depois do Golden Gala no início de junho, queria surpreender o mundo, mas, em vez disso, acabei na cauda do pelotão, testando a minha resistência e capacidade de suportar o sofrimento», contou ao diário Gazzetta dello Sport.
«E porque, além da gripe, descobri que tinha outros problemas físicos, com um nível muito baixo de ferritina», indicou.
Assim, encontrou uma solução menos convencional: começou a comer carne de avestruz. «É rica em ferro e menos gorda do que a carne de caça. Pode ser cozinhada de qualquer forma: estufado, ragu, bresaola. Tem um sabor um pouco forte, mas é deliciosa. Até correr 100 metros a um ritmo de 3 minutos por quilómetro era difícil para mim. Depois de um mês, calcei novamente os sapatos de bicos e era outra pessoa», relatou Battocletti.
Inscrita na Faculdade de Engenharia Civil e Arquitetura da Universidade de Trento, Nadia Battocletti deverá licenciar-se em 2027. «Estou a trabalhar na minha tese, um belo projeto para um jardim de infância com materiais autossustentáveis, destinado a crianças entre zero e seis anos, em Fai della Paganella», explicou ainda Nadia ao diário desportivo italiano.
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