Pedro Neto, Cristiano Ronaldo, Bruno Fernandes e João Cancelo celebram golo de Portugal - Foto: IMAGO

Cristiano Ronaldo começou a dar e os colegas a retribuir (as notas de Portugal)

Gesto no livre de Nuno Mendes valeu o segundo golo e Portugal embalou para uma forte exibição coletiva. Mais equipa, melhor as individualidades, como Bruno Fernandes. Ainda que seja o Uzbequistão
MELHOR EM CAMPO: BRUNO FERNANDES, 8

Esteve magnífico e em quase todas as jogadas importantes que Portugal conseguiu criar. Abdullaev negou-lhe o golo, no último momento, aos 2'. Aos 39', a assistência para Ronaldo no 3-0 levou cobertura de acúcar, tal como a bola picada no livre aos 59', com o capitão a permitir a defesa do guarda-redes. Foi dele o canto que originou o autogolo de Khusanov. E, no 5-0, lançou, como olho clínico, a corrida de Nélson Semedo pela direita, antes de o lateral cruzar para a finalização perfeita de Leão. Ninguém criou mais do que Bruno! O estado em que terminou a partida aconselha alguma gestão e cuidado nos próximos jogos.

DIOGO COSTA (6) — Atento ao controlo da profundidade desde o início. Não teve muito trabalho, porém também não teria hipótese se o golo de Ganiev tivesse contado. Encaixou um bom remate de Fayzullaev aos 52'.

JOÃO CANCELO (7) — Uma assistência que podiam ter sido duas se Ronaldo tivesse acertado o remate já no tempo de compensação da primeira parte. Foi o primeiro desbloqueador do jogo, revelando bom entendimento com Neto. Aos 29', foi salvo pelo VAR, depois de ter comprometido numa saída perante a pressão de Fayzullaev. Saiu ao intervalo, gestão de Martínez.

RÚBEN DIAS (6) — Tarde tranquila do central que tem mais perfil de xerife entre os que integram no grupo de trabalho. Liderança tranquila. Até no momento em que disse a Ronaldo para se posicionar numa bola parada favorável aos adversários.

RENATO VEIGA (5) — O mais intranquilo da defesa, ainda que os erros não tenham tido consequência de maior para a Seleção: dois maus passes, em que o defesa do Villarreal não é claramente especialista. Viu amarelo por entrada tardia sobre Ganiev.

NUNO MENDES (7) — Ainda não é o Nuno Mendes demolidor pelo seu flanco, mas já é qualquer coisa. Está a crescer fisicamente e foi ótimo sinal o tempo que desta vez esteve em campo. Marcou um bom golo de livre direto (17'), já depois de ter tentado assistir Ronaldo (4´) e, na segunda parte, quase antecipou o 5-0, ao tentar servir mais uma vez o capitão, com gente mais indicada para finalizar ao segundo poste.

VITINHA (6) — A qualidade na gestão de ritmos do costume, ainda que não tenha sido sempre capaz de verticalizar no momento ofensivo. Leva já muitos jogos nas pernas e o cansaço pode estar a mostrar-se um pouco nesta fase da temporada. Com Bruno a 10, andou um pouco longe da área. Mas, pelo menos, já não apareceu tão baixo, junto dos centrais.

JOÃO NEVES (7) — Da dupla de meio-campo, era ele quem tinha liberdade para aparecer na área contrária. Logo numa das primeiras jogadas, encontrou Bruno Fernandes, que viu o remate passar ao lado após desvio num uzbeque. Uma coleção de cortes, coberturas, passes a ultrapassar a pressão seguiram-se, justificando a frase-feita que parece quase sempre inevitável quando está em campo: não sabe jogar mal.

PEDRO NETO (7) — Um bom entendimento com Cancelo sobre a direita deu frutos logo no primeiro golo e as combinações entre os dois lançaram mais duas ou três transições ofensivas que mereciam melhor conclusão. Martínez decidiu retirá-los de campo ao intervalo.

CRISTIANO RONALDO (8) — Dois bons golos, empurrado pela vontade de responder em campo a todas as críticas de que tem sido alvo. Foi faca em manteiga na frágil defesa rival no primeiro golo, movimentando-se sem companhia para finalizar ao primeiro poste e depois soube evitar o fora de jogo, após magia de Bruno Fernandes, para se isolar e cruzar o remate para o 3-0, ultrapassando definitivamente Eusébio como melhor marcador em fases finais. No 2-0 deixou que a lógica se cumprisse, permitindo que Nuno Mendes convertesse o livre, e abrindo aí a porta de uma forte exibição coletiva, em que foi finalmente a ponta da lança. Teve mais três excelentes oportunidades na segunda parte, mas já não foi tão eficaz. Agora, é manter. Não basta dizer que está de volta, é preciso voltar mesmo e até ao fim.

JOÃO FÉLIX (7) — Não lhe saiu tudo bem, porém deixou claro que, se a aposta for para manter, pode ser muito importante na campanha. Muito boa dinâmica com Bruno Fernandes e Ronaldo, além de abrir também o corredor para Nuno Mendes. A dose de criatividade de que a equipa precisava. Influente no autogolo de Khusanov.

NÉLSON SEMEDO (7) — Está confiante e mostrou-o. Manteve a largura da Seleção à direita, ainda que Francisco Conceição parta quase sempre para o duelo individual, em vez de oferecer o flanco para o seu lateral chegar à linha. Assistiu para o golo de Leão.

FRANCISCO CONCEIÇÃO (6) — Jogou mais para manter o ritmo e garantir que a pressão sobr e a defesa uzbque não abrandava. Não criou muitos desequilíbrios.

TRINCÃO (5) — Não entrou bem no jogo. Poucas ações realmente importantes.

BERNARDO SILVA (6) — Manter a bola é fácil para quem tem a sua qualidade. Entrou para a gestão de João Neves, mas podia ter sido para o lugar de Vitinha.

RAFAEL LEÃO (7) — Na primeira jogada, tirou um da frente e deu um toque desastrado na bola. Na segunda, acertou no ângulo. Golaço! Intermitente.

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