Lenda olímpica perdeu todo o dinheiro e teve de recomeçar como estagiária
Lauryn Williams, uma das maiores velocistas da sua geração e uma das cinco atletas na história a conquistar medalhas nos Jogos Olímpicos de verão e de inverno, viu a sua vida dar uma volta de 180 graus devido a um mau investimento financeiro.
A norte-americano que durante 20 anos ganhava cerca de 200 mil dólares por ano, cerca de 170 mil euros, passou para zeros aos 30 anos, sendo forçada a recorrer a um estágio pago a 10 euros por hora.
Olympic track and bobsled champion Lauryn Williams earned $200,000 a year at age 20, yet by 30, she was interning for $12 an hour. https://t.co/NUyVYoFCPk
— FORTUNE (@FortuneMagazine) February 2, 2026
O percurso desportivo de Williams é notável. A partir de 2000, afirmou-se como uma figura de elite no atletismo mundial, sagrando-se campeã do mundo dos 100 metros em Helsínquia e conquistou a medalha de prata na mesma distância nos Jogos Olímpicos de Atenas2004 e, mais tarde, o ouro olímpico na estafeta 4x100 metros em Londres 2012, prova na qual também foi bicampeã mundial.
Depois do sucesso no atletismo, a norte-americana aventurou-se no bobsleigh! Um aposta acertada, com a conquista da medalha de prata na prova de duplas femininas nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi 2014, feito que a colocou num restrito grupo de atletas medalhados em ambas as edições dos Jogos, juntamente com Eddie Eagan, Jacob Tullin Thams, Christa Luding-Rothenburger e Clara Hughes.
Contudo, este novo sucesso desportivo, e o anterior, não lhe deram a esperada estabilidade financeira e um mau investimento levou-a a uma situação precária. «Ganhava 200 mil dólares por ano aos 20 anos, mas aos 30 era estagiária a receber 12 dólares por hora», confessou a ex-atleta. Williams sentiu-se em desvantagem no mercado de trabalho: «Tinha 30 anos e estava a começar, enquanto muitos dos meus amigos eram médicos ou advogados com grandes carreiras. Depois de 20 anos a competir, sentia-me insegura por não ter conhecimentos práticos para trabalhar».
«O dinheiro não dura tanto como as pessoas pensam, embora para uma jovem de 20 anos fosse um bom modo de vida», confessou. «Após uma carreira de 10 anos, estava mais bem preparada do que os outros aos 30, mas não tinha rendimentos para viver para sempre. Por isso, depois de ter dois consultores financeiros, pesquisei no Google, encontrei um curso de planeamento financeiro e inscrevi-me, porque queria perceber melhor as finanças por mim mesma», disse a ex-velocista que contou que grande parte dos seus ganhos foi canalizada para o agente e impostos.
Para ajudar outros atletas a evitar o mesmo destino, Williams fundou a empresa Worth Winning, dedicada à consultoria financeira para desportistas. «Tive como clientes atletas que ganharam medalhas de ouro em desportos que não eram de primeiro nível e que, após terminarem as suas carreiras, não ganhavam 84 mil euros por ano», revelou. «Há estrelas dos Jogos Olímpicos que aparecem em anúncios e poderiam reformar-se e nunca mais trabalhar se organizassem bem as suas finanças. Mas a maioria dos atletas vai precisar de trabalhar depois das suas carreiras desportivas», avisou.