Cerimónia de abertura dos Jogos está marcada para sexta-feira. IMAGO
Cerimónia de abertura dos Jogos está marcada para sexta-feira. IMAGO

Máfia italiana tenta infiltrar-se nos Jogos Olímpicos de inverno

À medida que se aproxima a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão-Cortina, esta sexta-feira, especialistas alertam para as tentativas de infiltração do crime organizado italiano no evento através da extorsão, violência e intimidação. Portugal vai participar com três atletas.

A organização dos Jogos Olímpicos tem sido alvo de tentativas de infiltração por parte da máfia e, segundo o especialista Paolo Valenti, o Ministério do Interior italiano já tomou medidas para tentar combater um crime recorrente ao longo da história. «Em 2025, o Ministério do Interior excluiu 54 empresas que se candidataram às obras, por suspeitas de ligações a organizações criminosas. São números bastante significativos», explicou ao jornal Ouest-France.

Mas o assunto não fica circunscrito aos concursos públicos.

Em outubro, a polícia de Cortina d'Ampezzo deteve três indivíduos por suspeita de «extorsão agravada por 'método mafioso'». Entre os detidos estavam dois irmãos, conhecidos por serem ultras da Lazio e com ligações ao crime organizado de Roma. O grupo é suspeito de tentar controlar o tráfico de droga na região através de intimidação e violência, além de pressionar estabelecimentos noturnos e tentar interferir em contratos ligados aos Jogos Olímpicos. «Aqui é Cortina, somos nós que mandamos», terão afirmado durante um concurso público, de acordo com a televisão suíça RTS.

Três portugueses nos Jogos
Em Milano Cortina 2026, Portugal contará com três atletas, repetindo o número de Beijing 2022 e as modalidades em que vão competir: esqui alpino e esqui cross-country. Dois deles estiveram na capital chinesa e voltam ao palco Olímpico: no esqui alpino, Vanina Guerillot; no esqui cross-country, José Cabeça. O estreante é Emeric Guerillot (esqui alpino). Esta é a 10.ª vez que Portugal apresenta uma delegação, sendo que o melhor resultado que obteve até agora foi com Mafalda Queiroz Pereira (21.º) no esqui livre em Nagano1998.

Paolo Valenti sublinha que esta não é uma tática nova. «Há décadas que as máfias tradicionais se instalam no norte de Itália, tentando infiltrar-se na economia legal e intercetar fundos públicos», afirmou. A RTS adianta que entre as empresas excluídas dos concursos públicos estão algumas ligadas à 'Ndrangheta, a máfia calabresa.

Em resposta, a Itália tem intensificado o combate a este problema. Além da ação das autoridades, associações cívicas como a Libera estão a ter um papel fundamental. A organização criou o programa Open Olympics 26, que visa garantir a transparência total nos processos de adjudicação de contratos públicos relacionados com o evento.