Máfia italiana tenta infiltrar-se nos Jogos Olímpicos de inverno
A organização dos Jogos Olímpicos tem sido alvo de tentativas de infiltração por parte da máfia e, segundo o especialista Paolo Valenti, o Ministério do Interior italiano já tomou medidas para tentar combater um crime recorrente ao longo da história. «Em 2025, o Ministério do Interior excluiu 54 empresas que se candidataram às obras, por suspeitas de ligações a organizações criminosas. São números bastante significativos», explicou ao jornal Ouest-France.
Mas o assunto não fica circunscrito aos concursos públicos.
Em outubro, a polícia de Cortina d'Ampezzo deteve três indivíduos por suspeita de «extorsão agravada por 'método mafioso'». Entre os detidos estavam dois irmãos, conhecidos por serem ultras da Lazio e com ligações ao crime organizado de Roma. O grupo é suspeito de tentar controlar o tráfico de droga na região através de intimidação e violência, além de pressionar estabelecimentos noturnos e tentar interferir em contratos ligados aos Jogos Olímpicos. «Aqui é Cortina, somos nós que mandamos», terão afirmado durante um concurso público, de acordo com a televisão suíça RTS.
Paolo Valenti sublinha que esta não é uma tática nova. «Há décadas que as máfias tradicionais se instalam no norte de Itália, tentando infiltrar-se na economia legal e intercetar fundos públicos», afirmou. A RTS adianta que entre as empresas excluídas dos concursos públicos estão algumas ligadas à 'Ndrangheta, a máfia calabresa.
Em resposta, a Itália tem intensificado o combate a este problema. Além da ação das autoridades, associações cívicas como a Libera estão a ter um papel fundamental. A organização criou o programa Open Olympics 26, que visa garantir a transparência total nos processos de adjudicação de contratos públicos relacionados com o evento.