Foto: Atlassian Williams F1 Team
Foto: Atlassian Williams F1 Team

Os desafios da Williams para 2026: o começo em falso apesar dos sinais de progresso

Escuderia britânica apresentou nova pintura do monolugar

A Williams trabalhou arduamente sob a nova gestão para se distanciar de um passado recente conturbado, mas a chegada tardia do seu monolugar de 2026, que a forçou a falhar o shakedown de Barcelona, indica que ainda existem problemas por resolver.

A ausência da equipa no evento em Barcelona foi um revés significativo. No ano passado, a Williams fez questão de ser a primeira a ir para a pista com o novo carro, num gesto simbólico para assinalar uma rutura com os problemas do passado. Este ano, o cenário foi diferente. A falha do cone do nariz nos testes de colisão obrigatórios, apesar de o monocoque ter sido aprovado, esteve na origem do atraso.

Este contratempo gerou especulação de que o FW48 poderá estar com excesso de peso, especialmente nas áreas que tiveram de ser reforçadas. James Vowles, o chefe de equipa, mostrou-se evasivo sobre o assunto numa entrevista recente. A consequência direta é que a Williams terá de usar tempo precioso nos testes do Bahrain para verificações operacionais básicas, tarefas que as equipas rivais já concluíram.

Apesar deste percalço, a equipa tem motivos para otimismo. Desde a nomeação de Vowles, ex-estratega da Mercedes, a trajetória tem sido de melhoria, culminando no quinto lugar no campeonato de construtores da época passada, o melhor resultado desde 2017. A equipa goza de continuidade na sua equipa técnica, agora liderada pelo ex-diretor técnico da Alpine, Matt Harman, e tem investido fortemente na modernização das suas instalações em Grove, que sofreram anos de subinvestimento.

Um dos maiores trunfos da Williams poderá ser, mais uma vez, a unidade motriz da Mercedes. Embora seja improvável que a vantagem seja tão esmagadora como em 2014, quando a era híbrida começou, rumores indicam que o novo motor da Mercedes é bastante competitivo. O desempenho fiável demonstrado pela Mercedes no shakedown de Barcelona pode mitigar parcialmente a desvantagem da Williams, embora a integração de um motor num chassis de cliente seja sempre um desafio distinto.

A Williams conta ainda com uma dupla de pilotos altamente competitiva. Carlos Sainz é um piloto rápido, inteligente e com vitórias comprovadas em Grandes Prémios, enquanto Alex Albon já demonstrou níveis de ritmo semelhantes.

Recorde-se que a Williams, uma das equipas mais bem-sucedidas da história da Fórmula 1, não vence um campeonato de pilotos ou construtores desde 1997. A sua última vitória numa corrida remonta a 2012, com Pastor Maldonado em Espanha. O declínio da equipa, marcado pela dependência de pilotos que traziam mais orçamento do que talento, quase a levou à extinção no final da década passada, antes de ser adquirida pelo fundo de investimento Dorilton Capital.

O objetivo para 2026 é claro: continuar a progredir. No entanto, a equipa está ciente de que, devido aos recentes contratempos, começa a nova temporada já em desvantagem.

É crucial evitar que um eventual atraso na conclusão do monolugar resulte numa quilometragem reduzida durante os testes de pré-temporada.

A curto prazo, o cenário ideal seria chegar ao Barém e começar a trabalhar sem contratempos. Já a longo prazo, o objetivo passa por lutar regularmente pelos pontos, o que seria um bónus e uma evolução face ao quinto lugar alcançado na época passada.