Barcelona bateu Elche fora de portas
Barcelona bateu Elche fora de portas - Foto: IMAGO

Barcelona gastou mais de 4 milhões em camisolas que estão... guardadas num armazém

Decisão de fabricar os seus próprios equipamentos foi tomada durante «tensas negociações» com a Nike, revela o 'El País'

O Barcelona investiu cerca de quatro milhões de euros na produção de 300 mil peças de vestuário oficial que nunca chegaram a ser utilizadas e que se encontram atualmente armazenadas, revela esta terça-feira o El País. A decisão de fabricar os seus próprios equipamentos foi tomada durante as tensas negociações com a Nike para a renovação do contrato de patrocínio.

A encomenda, que incluía equipamentos completos para todas as modalidades do clube e milhares de camisolas da equipa principal de futebol, foi uma medida de precaução. Perante o risco de uma rutura com a Nike, reporta a publicação espanhola, a direção presidida por Joan Laporta quis garantir que as equipas teriam com que jogar e que os adeptos poderiam comprar a camisola da época, mesmo sem o logótipo da multinacional norte-americana.

As negociações com a Nike, parceira do clube desde 1998, terão sido «extremamente difíceis». O emblema catalão considerava o contrato em vigor desatualizado e exigia, entre outros, o controlo sobre as vendas online. A incerteza foi tal que os blaugrana chegaram a explorar alternativas, como a Puma.

Josep Maria Meseguer, responsável pela Barça Licensing and Merchandising (BLM), confirmou a operação, justificando-a como um plano de contingência. «Precisávamos de um plano B caso não houvesse acordo, para podermos começar a época com normalidade. Era preciso dar cobertura não só ao futebol, mas também ao basquetebol, vólei, râguebi, hóquei… E tudo isso tinha uma complicação acrescida», explicou.

Embora Meseguer não tenha especificado o custo exato, fontes próximas do processo situam ao El País o valor entre os quatro e os cinco milhões de euros. As camisolas de futebol produzidas ostentam a marca Bihub Tech, do Barça Innovation Hub, e tinham um preço de venda ao público estipulado de 89 euros.

O responsável pela BLM confirmou que as peças permanecem «conservadas, guardadas» e que, até ao momento, «não lhes foi dada qualquer saída». Qualquer utilização futura destes equipamentos, por serem «peças técnicas», terá de obter a aprovação da Nike, que detém os direitos exclusivos.

Recorde-se que, em novembro de 2024, o Barcelona anunciou a renovação com a Nike até 2038, num acordo avaliado em cerca de 1,7 mil milhões de euros. O pacto, descrito pelo presidente Joan Laporta como «o melhor contrato de equipamento desportivo do mundo», foi alcançado com a mediação do agente Darren Dein, que terá recebido uma comissão avultada, estimada em cerca de 50 milhões de euros.