Cristiano Ronaldo marcou ao Al Hilal, de Rúben Neves, em janeiro
Cristiano Ronaldo marcou ao Al Hilal, de Rúben Neves, em janeiro - Foto: IMAGO

Cristiano Ronaldo terá razão? O que investiram Al Hilal e os outros rivais

Português está frustrado com a falta de investimento no plantel do Al Nassr, comparando com os restantes clubes, principalmente o líder, tendo-se recusado a jogar

A tensão entre Cristiano Ronaldo e os dirigentes do futebol saudita atingiu um novo patamar. O internacional português recusou-se a jogar pelo Al Nassr, em protesto contra o que considera ser um favorecimento ao Al Hilal no mercado de transferências, uma situação que os números parecem confirmar.

O descontentamento do português levou-o a falhar o jogo com o Al Riyadh, como forma de pressão sobre os órgãos que supervisionam a SPL. O alvo da sua frustração não é a equipa de Rúben Neves ou jogadores como Benzema, reforço do líder, mas sim os responsáveis do Fundo de Investimento Público na Arábia Saudita (PIF), que aprovam as contratações e permitem uma clara disparidade de investimento entre os clubes.

A recente janela de transferências de inverno acentuou o problema. Enquanto o Al Hilal garantiu as contratações de Karim Benzema, Kader Meité (€30M vindo do Rennes) e Saimon Bouabré (€23M do NEOM), o Al Nassr viu-se limitado a duas chegadas a custo zero de jogadores locais. Esta inação no mercado foi a gota de água para Ronaldo, que se sente frustrado com promessas de reforço não cumpridas desde que renovou contrato até junho de 2027.

A transferência de Benzema da equipa de Sérgio Conceição para o rival, dois clubes controlados pelo PIF, tal como o Al Nassr, é vista por Cristiano e outros observadores como um fator de desequilíbrio na luta pelo título, na qual também participam o Al Ahli e o Al Qadsiah. A operação que levou o avançado francês para o Al Hilal foi financiada pelo Príncipe Al Waleed bin Talal.

Jorge Jesus partilha da frustração do seu capitão. Após a vitória sobre o Al Riyadh, o técnico português não falou à imprensa, assim como os seus jogadores, numa medida imposta pelo clube e numa altura em que tem vindo a pedir reforços que tardam em chegar, contrastando com a aparente facilidade com que o rival Al Hilal opera no mercado.

Vamos a contas

Desde a chegada de Cristiano Ronaldo à Arábia Saudita, em janeiro de 2023, a diferença nos gastos entre os principais clubes tem sido notória. O Al Hilal lidera destacadamente o investimento, com cerca de 647 milhões de euros gastos em jogadores como Neymar, Malcom, Rúben Neves, Mitrovic e, mais recentemente, Benzema. Só nesta época, o valor ultrapassa os 168 milhões de euros.

Em comparação, no mesmo período, o Al Nassr investiu 410 milhões de euros em nomes como Sadio Mané, Otávio e Laporte. O Al Ahli, campeão asiático, gastou 380 milhões, enquanto o Al Ittihad, atual campeão saudita, investiu perto de 365 milhões de euros. Esta diferença de 237 milhões de euros para o Al Hilal é vista como um golpe na competitividade da liga, apesar de o clube ter beneficiado de uma receita extra de 31 milhões pela participação no Mundial de Clubes.

Enquanto a tensão persiste, com Cristiano Ronaldo a recusar-se a jogar, Karim Benzema já foi apresentado no Al Hilal. O avançado francês, que assinou até 2027, deixou para trás a sua passagem pelo Al Ittihad e foca-se agora nos desafios com a equipa orientada por Simone Inzaghi, nomeadamente a conquista do campeonato e da Champions asiática. A transferência de Karim Benzema para o Al Hilal, depois de uma proposta bem recebida pelo jogador, esteve perto de não se concretizar, mas acabou por ter um desfecho positivo para o avançado francês, que se mostrou «feliz» por ter acontecido.

O desejo de Benzema em deixar o Al Ittihad e rumar ao Al Hilal gerou um clima de alarme no Al Nassr. O clube de Riade, onde atua o capitão da seleção portuguesa, sentiu que não poderia competir no mercado em condições de igualdade, considerando a situação uma clara distorção do campeonato. Recorde-se que esta não é a primeira vez que o Al Nassr se vê numa situação de desvantagem regulamentar. Há alguns meses, o clube opôs-se firmemente à alteração da regra relativa aos jogadores sub-21 antes do fecho do mercado de verão. A recusa deveu-se ao facto de toda a sua planificação desportiva ter sido baseada nas quotas então em vigor, que permitiam oito jogadores estrangeiros com mais de 21 anos e os restantes sub-21.