Petit sagrou-se campeão no Boavista. Era a extensão de Pacheco em campo - Foto: A BOLA
Petit sagrou-se campeão no Boavista. Era a extensão de Pacheco em campo - Foto: A BOLA

Petit recorda título em 2001: «O jogo estava ganho, faltava escolher o jantar»

Entre treinos intensos e momentos fora do campo, o Boavista construiu uma ligação rara que se refletiu nos resultados. «Éramos uma família — dentro e fora do campo», conta

Nesse 18 de maio de 2001, o Boavista caminha para o único campeonato nacional da sua história, com Petit, o médio de peito aberto, a sentir que o título é quase um destino. O ‘pitbull’ é só um apelido, quase um acaso de bancada; Petit era, acima de tudo, a alma batalhadora de um grupo que se foi fechando roda a roda, jogo a jogo, sprint a sprint.

«Por aquilo que estava a acontecer e pelos jogos difíceis que tínhamos vencido antes, sentia a equipa moralizada para este último jogo e confiante de que o título não podia escapar», começa por contar o antigo médio‑defensivo. «Era o último jogo em casa antes do dérbi com o FC Porto, a nossa oportunidade de fechar o campeonato estava ali e foi um título muito merecido.»

Era o último jogo em casa antes do dérbi com o FC Porto, a nossa oportunidade de fechar o campeonato estava ali e foi um título muito merecido

Petit sublinha que o Boavista não surgiu por acaso. «Há dois ou três anos que o clube andava na frente, a procurar a sua oportunidade, e conseguiu o título com um misto de jogadores experientes, de qualidade, e muitos da formação que deram cartas. Havia uma identidade muito forte», diz, como se ainda ouvisse o eco dos hinos improvisados no Bessa, das conversas nos treinos, dos olhares de quem sabia que o caminho estava bem traçado. «Ficámos na história, permaneceremos ali muito tempo. Na altura o Boavista trabalhava muito bem os ativos, os jogadores da casa tinham espaço e alto nível, muitos chegaram à Seleção Nacional, não fui só eu. E no ano seguinte perseguimos o bicampeonato e por pouco o perdemos para o Sporting

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Ficámos na história, permaneceremos ali muito tempo. Na altura o Boavista trabalhava muito bem os ativos, os jogadores da casa tinham espaço e alto nível, muitos chegaram à Seleção Nacional, não fui só eu

Treinador de sucesso, atualmente no Santa Clara, Petit coloca Jaime Pacheco no centro do processo, mas também a forma como o grupo absorvia o seu estilo. «Todos trabalhavam muito, desde o titular ao suplente, porque com o Pacheco tão depressa o titular ia para a bancada como aquele que estava na bancada saltava para titular», recorda. «Ele queria o grupo sempre pronto e preparado para todos os cenários, os treinos eram de grande intensidade. Hoje fala‑se de pressão alta. O Boavista já fazia isso, pressionávamos alto, éramos muito bons na marcação individual, fortes a entrar no jogo. Num instante fazíamos dois golos e geríamos o resto do tempo. O Boavista jogava mesmo muito bem.»

Com o Pacheco tão depressa o titular ia para a bancada como aquele que estava na bancada saltava para titular. Ele queria o grupo sempre pronto e preparado para todos os cenários

Petit fecha a memória com o cheiro de equipa, não só de clube. «Era uma grande família, não só o plantel, as famílias dos jogadores estavam sempre perto, íamos todos almoçar ou jantar. A confiança era tanta que, na cabeça de muitos, a única questão após o jogo era saber onde íamos jantar a seguir, porque o jogo estava ganho.»

A galeria dos campeões do Boavista

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