Mais valor, mais mercado
A entrada de Cristiano Ronaldo na LiveModeTV vale mais do que uma notícia de mercado. Vale como sinal do tempo. Quando um ativo premium encontra um modelo de distribuição gratuito, digital e nativo de plataformas como o YouTube, não há perda de valor. Há expansão de alcance, entrada em novas rotinas de consumo e contacto com novas linguagens.
É por isso que a centralização dos direitos audiovisuais assume importância estratégica. Não apenas por imposição legal, mas pela capacidade de organizar a oferta, estruturar o produto e prepará-lo para um mercado mais plural. Enquanto ligas premium, como a Premier League e a NFL, continuam assentes em modelos clássicos de maximização de valor, outras experiências podem revelar vias complementares, aptas a captar novos públicos e a diversificar receita.
O caso LiveMode confirma um ponto essencial. O interesse de novos players fortalece o ecossistema. Mais concorrência, mais criatividade comercial, mais capacidade de empacotamento, promoção e distribuição. Não se trata de substituir o que existe pelo que é novo. Trata-se de reconhecer que o futuro do produto audiovisual será plural e que essa pluralidade, quando bem organizada, acrescenta valor ao conjunto.
Em Portugal, esse caminho pede inteligência coletiva. A centralização tem de continuar em construção com as Sociedades Desportivas, porque nelas reside o centro do valor a projetar. E sempre com respeito pelo enquadramento regulatório, em diálogo com a ERC, assegurando equilíbrio entre valor, inovação, acesso, concorrência e interesse público.
É aqui que a Liga Portugal tem de fazer a diferença. Não como espectadora da transformação do mercado, mas como entidade capaz de lhe dar forma. A centralização também serve para isso: dar unidade ao produto, coerência à oferta e ambição à forma como o Futebol Profissional português se apresenta ao mercado. Num ecossistema mais aberto e mais plural, o risco não está na diversidade de modelos. Está na incapacidade de os integrar com visão estratégica.