A festa do Leicester em maio de 2016 (IMAGO)
A festa do Leicester em maio de 2016 (IMAGO)

Os campeões mais improváveis: do Boavista ao Leicester e ao grande Nottingham

Do histórico título do Boavista em 2001 ao milagre do Leicester em 2016, recorde os clubes que desafiaram os gigantes e venceram

O Boavista foi o campeão mais atípico da história do futebol português. Sim, o Belenenses venceu o campeonato em 1945/1946, mas tinham-se disputado apenas 11 Campeonatos Nacionais e, assim, não havia ainda a profundidade necessária para podermos afirmar que a equipa orientada por Augusto Silva e com craques como Feliciano, Mariano Amaro, Manuel Andrade, Artur Quaresma, Manuel Capela ou Serafim Neves era um campeão singular.

Cinquenta e cinco anos depois, sim, o Boavista foi um campeão atípico. Tinha sido segundo classificado em 1975/1976 (com José Maria Pedroto como técnico e João Alves, Botelho, Carolino, Mário João, Taí ou Mané como jogadores) e em 1998/1999 (Jaime Pacheco como treinador e com Ricardo, Pedro Emanuel, Sánchez, Rui Bento, Jorge Couto ou Ayew como jogadores), mas 2000/2001 foi o topo dos topos. Até porque só mais uma vez, em 2001/2002, seria segundo na Liga.

Mas houve mais campeões 'estranhos' na Europa. O caso mais extraordinário, no século XXI, será o Leicester na Premier League 2015/2016. Venceu com 10 (!) pontos de avanço sobre o Arsenal. Com o italiano Claudio Ranieri no comando e com o guarda-redes Kasper Schmeichel, o médio N’Golo Kanté e os avançados Jamie Vardy e Riyad Mahrez como figuras maiores, os foxes construíram um dos maiores contos de fadas do futebol mundial.

As casas de apostas, por exemplo, atribuíam-lhe uma possibilidade em 5000 (!) em 1 de ser campeão de Inglaterra, até porque, na época anterior, o Leicester tinha ficado em 14.º lugar e evitado a descida de divisão apenas nas últimas jornadas.

Semelhante, em Inglaterra, talvez apenas o Nottingham Forest em 1977/1978. Tinha caído para a segunda divisão em 1971/1972 e só viria a subir no final de 1976/1977, quando foi terceiro na Segunda Divisão atrás de Wolverhampton e Chelsea.

Treinado pelo mítico Brian Clough e com jogadores como Peter Shilton, Viv Anderson, Archie Gemmill ou John Robertson, o Forest terminou 1977/1978 com sete pontos de avanço sobre o Liverpool treinado por Bob Paisley e com Ray Clemence, Terry McDermott ou Kenny Dalglish no plantel, que vencera a então Taça dos Campeões Europeus em 1976/1977 e venceria a de1977/1978. Nunca mais o Nottingham Forest foi campeão inglês, apesar de ter sido campeão da Europa nas duas épocas seguintes: 1978/1979 e 1979/80.

Em Espanha, há três campeões fora da caixa: Betis (1934/1935), Sevilha (1945/1946) e Corunha (1999/2000). Este último tinha, na altura, Pedro Pauleta (11 golos em 40 jogos), Naybet (ex-Sporting), Lionel Scaloni (selecionador campeão do Mundo em 2022 pela Argentina) ou Fran González (pai de Nico González, do FC Porto). E há ainda o caso curioso da Real Sociedad, bicampeã em 1980/1981 e 1981/1982.

Vejamos agora os campeões surpreendentes mais surpreendentes em Itália, Alemanha e França. Na Serie A houve o Cagliari em 1969/1970 (Albertosi na baliza, Riva e Domenghini na frente), o Hellas Verona em 1984/1985 (Briegel na defesa e Larsen no ataque) e a Sampdoria em 1990/1991 (Pagliuca na baliza, Vierchowod na defesa, Mykhaylychenko e Toninho Cerezo como médios e Mancini e Vialli no ataque).

Na Bundesliga, o Leverkusen em 2023/2024 (treinado por Xabi Alonso e com Grimaldo), o Wolfsburgo em 2008/2009 (Felix Magath como técnico e Ricardo Costa no plantel), o Borussia M’gladbach em 1969/1970 (Vogts e Bonhof na defesa, Netzer na linha média e Heynckes no ataque), o TSV Munique em 1965/1966 e o Bremen em 1964/1965 (Piontek na defesa).

O percurso histórico da liga francesa é marcado por uma diversidade impressionante de campeões. A sequência inicia-se com o Club Français (1885/1886), seguido pelo Gallia Club Paris (1904/1905), o US Tourcoing (1909/1910), o Saint-Raphaël (1911/1912) e o Paris-Charenton (1926/1927). Logo depois, o Stade Français (1927/1928) fechou o ciclo das conquistas mais antigas, abrindo caminho para o título do Roubaix (1946/1947) já na era moderna.

Já na reta final do século XX, o Estrasburgo (1978/1979, com Wenger e Domenech) e o Auxerre (1995/1996, treinado por Guy Roux) inscreveram os seus nomes na lista, que é encerrada pela vitória mais recente deste grupo, a do Montpellier (2011/2012, com Giroud no plantel).

São estes os 'Boavistas' das principais Ligas da Europa.

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