A celebração que era marca registada do 'pistoleiro' Silva - Foto: A BOLA
A celebração que era marca registada do 'pistoleiro' Silva - Foto: A BOLA

Elpídio Silva, goleador do Boavista campeão: «Tinha o título no contrato e João Loureiro pagou!»

Brasileiro que celebrava cada golo marcado atirando tiros imaginários para o ar ficou para sempre conhecido como o ‘Pistoleiro’. Bem longe no Brasil, sente o coração apertado pela agonia da pantera

Elpídio Silva entrou para a história dos axadrezados como o ‘Pistoleiro’ e a alcunha encaixava perfeitamente: o brasileiro disparou 11 golos na Liga 2000/01 e foi peça central do único título nacional do Boavista.

«Quando saí do SC Braga chamava‑me a atenção o Boavista, era muito competitivo», recorda o antigo avançado, que, até há pouco tempo, era treinador dos sub-17 e auxiliar da equipa profissional da Serra Branca. «Quando cheguei, o Boavista fez contratações pontuais e daquele grupo que achava muito bom praticamente toda a base ficou, saiu apenas o Timofte. Lembro‑me de no primeiro dia dizer que chegava para ser campeão. Essa aposta ganhei-a ao João Loureiro. Pedi para ter no contrato prémio para campeão, a princípio não queria porque o Boavista não ia ser campeão, mas lá acedeu. E pagou! No ano seguinte já não caiu no erro (risos).»

Lembro‑me de no primeiro dia dizer que chegava para ser campeão. Essa aposta ganhei-a ao João Loureiro. Pedi para ter no contrato prémio para campeão, a princípio não queria porque o Boavista não ia ser campeão, mas lá acedeu. E pagou!

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Elpídio Silva diz que a convicção de campeão chegou cedo. «Tínhamos um grupo espetacular, entrava um e saía outro e a equipa não se ressentia. O ritmo de jogo era intenso, havia muita concentração. Acho que depois do 5‑1 ao Salgueiros, onde fiz um 'hat‑trick', todos se convenceram de que íamos ser campeões. Foi mesmo muito merecido», afirma, rematando com um traço de humor e orgulho.

No Boavista não havia grupinhos. Jogadores e as esposas juntavam‑se para jantar e almoçar, era um grupo muito coeso. O regime de estágios era pesado, mas tudo o que o Pacheco fez deu resultado

Elpídio concorda plenamente com Petit quanto ao espírito de grupo. «No Boavista não havia grupinhos, o que o Petit disse é a mais pura realidade», sublinha. «Jogadores e as esposas juntavam‑se para jantar e almoçar, era um grupo muito coeso. O regime de estágios era pesado, mas tudo o que o Pacheco fez deu resultado e ali não havia grupinhos. Gente com a autoridade de Litos, Pedro Emanuel, Petit, Sánchez ou Ricardo não deixava que fosse de outra maneira.»

No início sofri com Pacheco. Era tecnicamente evoluído, mas vinha de um ritmo completamente diferente. Faltava‑me ‘pegada’. Depois de ter uma segunda oportunidade construí no Boavista uma história linda, de coração.

Silva admite que a adaptação não foi fácil. «Tínhamos maturidade e personalidade e a vantagem de ter um treinador que vivia o jogo e os treinos intensamente. No início sofri com ele. Era tecnicamente evoluído, mas vinha de um ritmo completamente diferente. Faltava‑me ‘pegada’, comecei no banco, mas depois de ter uma segunda oportunidade construí no Boavista uma história linda, de coração.»

O meu filho Lucas, que está em Portugal, vive muito o Boavista e sente o que passou. O Boavista não pode acabar

Fecha com a memória do Boavista que ainda vive no fundo da sua alma: «Sentíamos a obrigação de ir atrás do que os adeptos queriam, também eles eram da família, iam aos treinos, isso marcou‑me muito. O meu filho Lucas, que está em Portugal, vive muito o Boavista e sente o que passou. O Boavista não pode acabar», conclui, com a certeza de quem sabe que o Bessa será sempre a sua casa.

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