Palco de jogo de preparação de Portugal para o Mundial 2026 em risco
Aumenta a preocupação em torno do icónico Estádio Azteca, na Cidade do México, cujos atrasos nas obras de remodelação para o Mundial 2026 colocam em risco a realização de jogos importantes, incluindo a partida de abertura do torneio.
A apenas 115 dias do início da competição, o estádio, que deveria acolher o jogo inaugural a 11 de junho, encontra-se em pleno estaleiro de obras, com os trabalhos a não decorrerem como planeado. O México, um dos três países anfitriões juntamente com os Estados Unidos e o Canadá, vê assim ameaçado o seu mais famoso recinto desportivo, palco das finais do Mundial 1970 e 1986.
A gravidade da situação foi confirmada num relatório oficial do Grupo Ollamani, proprietário do estádio, enviado à Bolsa de Valores do México. Emilio Azcarraga, presidente do grupo, admitiu que existe um risco real de «uma possível desqualificação ou relocalização de jogos-chave por parte da FIFA» devido ao «incumprimento dos prazos para as obras de remodelação e custos imprevistos».
O estádio, que foi oficialmente rebatizado como Estadio Banorte, já enfrenta consequências imediatas. O particular entre o México e Portugal, agendado para a madrugada de 29 de março, o primeiro de dois de preparação da Seleção Nacional para o Campeonato do Mundo, está em sérias dúvidas, assim como o jogo de abertura do Mundial entre o México e a África do Sul.
A FIFA assumirá o controlo do estádio no início de maio e tem o poder de transferir os jogos para outro local. Para cumprir os critérios do organismo que rege o futebol mundial, os proprietários estão a dar prioridade à construção de novas instalações para a comunicação social, à demolição de secções das bancadas para relocalizar os balneários e à substituição de assentos.
No entanto, outras intervenções, como a construção de um grande parque de estacionamento e a correção da iluminação, deverão ser adiadas para depois do torneio. Emilio Azcarraga explicou a complexidade do projeto: «Esta primeira fase, que termina a 28 de março com a reabertura, é importante. Depois continuaremos com os restantes trabalhos necessários para o Mundial e, posteriormente, com o resto, porque há muitas coisas que, pela complexidade do projeto, não podem ser feitas agora», explicou.
O presidente do Grupo Ollamani acrescentou que alguns trabalhos terão de ser concluídos após a competição. «Por exemplo, o grande parque de estacionamento fora do estádio, onde tivemos de remover muito lixo, teremos de o fazer depois do Mundial. Houve um problema com a iluminação das colunas que não estava bem, por isso será resolvido mais tarde», afirmou.
Azteca não é o único recinto do Mundial a enfrentar problemas. O Gillette Stadium, em Foxborough, perto de Boston, onde a Inglaterra jogará contra a Escócia, tem estado envolvido numa disputa sobre custos e licenciamento entre a FIFA e as autoridades locais, embora se espere que a situação seja resolvida nos próximos meses.