Leonardo Jardim foi campeão da Ligue 1 pelo Mónaco, com Luís Campos
Leonardo Jardim foi campeão da Ligue 1 pelo Mónaco, com Luís Campos - Foto: IMAGO

«Liguei para Cristiano Ronaldo, que confirmou tudo sobre Leonardo Jardim»

Vadim Vasilyev, ex-vice-presidente do Mónaco, recordou a chegada do técnico português do Sporting em 2014, que teve a aprovação de CR7, e elogiou Luís Campos, o principal responsável pela contratação do compatriota que levaria os monegascos ao título

Antes de chegar ao PSG, foi no Mónaco que Luís Campos se afirmou como um dos melhores diretores desportivos do mundo e uma das figuras mais influentes do futebol europeu. O seu trabalho foi fundamental na construção da equipa que conquistou o título francês em 2017. A história de sucesso do português no principado começou na primavera de 2013, quando foi contratado por Vadim Vasilyev, então recém-nomeado diretor-geral do clube pelo acionista maioritário Dimitri Rybolovlev. Vasilyev, um homem de negócios reputado mas com conhecimento limitado de futebol, procurava um profissional para o cargo de diretor desportivo.

«Estava à procura de um diretor desportivo. Encontrei-me com cerca de quinze e o Luís foi quem mais me impressionou», recorda o russo. «Foi uma aposta, porque ele nunca tinha trabalhado como diretor desportivo, mas quando sinto as coisas, não hesito», acrescenta Vasilyev em declarações ao L'Équipe. A ligação foi facilitada pelo agente Jorge Mendes, que já tinha levado Radamel Falcao e João Moutinho do FC Porto para o clube. Vasilyev rapidamente percebeu o valor da sua contratação. «Sentia-se o seu passado de treinador no seu conhecimento dos desafios, do jogo e dos balneários. Tinha feito outras contratações para a minha equipa, como [Nicolas] Holveck ou [Geoffrey] Moncada, mas o Luís foi a nossa contratação estrela. Descobri um trabalhador incansável, sempre em viagem», afirma.

Descrito como inovador, metódico e instintivo, Campos era também exigente e por vezes autoritário. Contudo, o seu papel foi crucial quando o Mónaco, pressionado pelo fair-play financeiro, teve de abandonar a política de contratação de estrelas e focar-se na deteção e valorização de jovens talentos. «Quando percebemos que não podíamos continuar a fazer grandes investimentos nos grandes jogadores que o Claudio Ranieri queria, demos uma viragem importante para detetar os talentos de amanhã», explica Vasilyev. «Não é qualquer um que consegue tomar essa direção, precisávamos de alguém com esse saber-fazer e o Luís estava lá.»

«Liguei para Cristiano Ronaldo...»

Esta nova estratégia exigia também um treinador com um perfil diferente. A escolha recaiu sobre Leonardo Jardim, recomendado por Campos. «O Luís fez-nos uma lista com uma dezena de candidatos para suceder a Ranieri», explica Vasilyev. «Reduzimos a lista a 3-4 nomes e acabámos por escolher o Jardim, que tinha acabado de ficar em segundo lugar com o Sporting com uma equipa jovem. Liguei para Cristiano Ronaldo, que confirmou tudo o que pensávamos: Jardim encaixava-se no nosso projeto. Quando vendemos Martial por uma quantia astronómica (50 milhões de euros + 30 de bónus), Jardim não foi do tipo de dizer que a direção o havia abandonado. O nosso sucesso é ter conseguido formar um triângulo com pessoas compatíveis», revelou.

O próprio Leonardo Jardim, que voltou a viver no Mónaco, recorda a abordagem do seu compatriota. «Em 2014, o Luís veio ter comigo a Lisboa para me dizer que o clube precisava de uma pessoa como eu, que não tem medo de apostar nos jovens para lutar pelos três primeiros lugares», lembra o treinador. «Foi o que eu tinha feito no Sporting e ele levou-me para o Mónaco. Quando cheguei, havia muitos jogadores antigos, Carvalho, Abidal, Raggi, era preciso mudar as coisas e contratar jogadores mais jovens. Não éramos amigos, mas conhecíamo-nos. Trabalhámos como uma equipa, vimos muitos jogos e viajámos muito também. O Luís precisa sempre de trabalhar e tínhamos uma verdadeira relação. Precisávamos um do outro», acrescentou o ex-Cruzeiro também ao L'Équipe.

A saída de Luís Campos no verão de 2016 deveu-se a «conflitos de território e à falta de consideração» que sentiu, fatores que colidiram com o seu «caráter vulcânico». No entanto, a relação entre ambos permaneceu intacta. «Algumas divergências levaram-no a sair, mas continuámos bons amigos», confessou Vasilyev. «O Luís tem um caráter forte, mas, em geral, são essas pessoas que têm sucesso na vida. E mesmo já não estando cá, foi ele quem construiu a equipa de 2017 que foi campeã de França.»