Ivan Goncharuk morreu aos 10 anos, na academia do Benfica na Ucrânia (foto: Facebook/Svetlana Goncharuk)
Ivan Goncharuk morreu aos 10 anos, na academia do Benfica na Ucrânia (foto: Facebook/Svetlana Goncharuk)

Pai de menino que morreu na academia do Benfica na Ucrânia reage à detenção da antiga diretora

Ivan Goncharuk tinha 10 anos de idade

Vyacheslav Goncharuk, pai de Ivan, o menino de 10 anos que morreu afogado num campo de férias da academia do Benfica na Ucrânia, em 2023, já reagiu à detenção da antiga diretora, Mariia Kryvopyshyna, no Montegro.

O Procurador-Geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, revelou, esta quarta-feira, que a detenção ocorreu na sequência de um «alerta vermelho» emitido pela Interpol, a pedido das autoridades ucranianas.

O pai da criança, Vyacheslav Goncharuk, revelou ao jornal «Dumska» que a notícia da detenção foi uma surpresa, mas reconheceu que o processo judicial ganhou novo ímpeto recentemente. «Após o caso se ter tornado público e o Procurador-Geral Ruslan Kravchenko o ter assumido pessoalmente, tudo começou a funcionar como a lei manda», afirmou, sublinhando que as audiências já não têm sido adiadas.

O pai de Ivan lamentou a atitude da diretora após a tragédia, garantindo que esta nunca contactou a família. «Não ouvimos dela nem um pedido de desculpas, nem palavras de condolências. Foi uma ignorância total. Parecia que ninguém se preocupava com a possível responsabilidade pelo que aconteceu», desabafou.

Ivan Goncharuk, de Balta, na região de Odessa, afogou-se a 3 de agosto de 2023, enquanto participava num campo de verão da academia de futebol do Benfica, localizado no complexo Olympic Village, perto de Kiev.

Segundo a investigação, o treinador Andrii Chernous levou o rapaz e outros jovens para nadar numa antiga pedreira de areia com cerca de nove metros de profundidade, apesar de saber que Ivan não sabia nadar, deixando-os sem a devida vigilância. O treinador está a ser julgado por abandono de menor em perigo.

A investigação apurou que o campo de férias operava sem as devidas licenças, sem contratos de trabalho com os funcionários e sem acordos formais com os pais. O local onde as crianças nadavam não tinha autorização para ser usado como zona de lazer, nem estava equipado com postos de salvamento ou outros meios de segurança.

Mariia Kryvopyshna, diretora da academia, é suspeita de violação da legislação de segurança no trabalho, resultante na morte de uma pessoa. Segundo a imprensa ucraniana, o complexo Olympic Village foi construído em terrenos que pertenciam à empresa estatal «Ukrzaliznytsia» e que Kryvopyshna, filha de um antigo chefe dos caminhos de ferro, também dirigia a academia de futebol do Benfica, inaugurada em 2019, em parceria com o clube português.

Apesar do sucedido, o pai da vítima afirma que o complexo continua em funcionamento. «Tanto quanto sabemos, o lago continua a ser utilizado e o complexo está a funcionar. As crianças continuam a nadar lá», referiu.

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