Daniel Banjaque e Anísio Cabral: aqueles sorrisos dizem tudo — Foto: Miguel Nunes
Daniel Banjaque e Anísio Cabral: aqueles sorrisos dizem tudo — Foto: Miguel Nunes

Os sorrisos de Banjaqui e Anísio animam presente e iluminam futuro (as notas do Benfica)

Final de jogo de sonho para os adolescentes Daniel Banjaqui e Anísio Cabral. Em dia de estreias, o primeiro assistiu no golo do segundo. Sidny foi o agitador de serviço (também marcou) no dia da redenção de Pavlidis
O melhor em campo: Sidny (8)
Do início ao fim, foi quem mais teve capacidade de agitar o mesmo, sobretudo quando a monotonia ameaça tomar conta do jogo da equipa. Veloz, enérgico, com capacidade de chegar à linha de fundo, aplicar o drible, fazer muitos cruzamentos, usar com igual facilidade os dois pés, combinar com os companheiros, surgir em zonas de finalização e também finalizar. Aos 8' meteu a bola na área para Aursnes quase marcar, aos 14' estava na área para concluir com perigo um centro de Banjaqui, mas a bola foi cortada, aos 17' marcou um livre (bola por cima da barreira) que Renan defendeu, aos 42' marcou o canto para o golo de cabeça de Pavlidis, aos 52' sofreu penálti que o avançado grego converteu, aos 58', isolado, teve frieza para assinar o terceiro da equipa, aos 68' e 77' voltou a ameaçar. Fez muito e bem.

Trubin (5) — Aos 5' não chegou a tempo de um mau atraso de Otamendi, mas António Silva salvou-os. De resto, pouco trabalho teve. Mas esteve no terceiro golo — pontapé longo mal desviado por  Schappo acabou nos pés de Sidny.

Daniel Banjaqui (8) — Aos 9' levantou os braços a pedir bola. Queria ser protagonista na estreia a titular e não imaginaria que o seria. De que maneira. Sem problemas a defender, apesar de um par de passes errados, foi superofensivo, aos 13' serviu Sidny na área depois de arrancada pela direita, aos 14' ameaçou Renan com um disparo de pé esquerdo à entrada da área, aos 24' estava a tentar cabecear na área, aos 44' deixou Stoica para trás, numa iniciativa individual, e centro para Sidny, aos 45+4' rematou com perigo à malha lateral, aos 62' encontrou Pavlidis em boa posição na área. Mas o melhor estava guardado para o fim. Ainda com força, aos 84', fugiu pela direita e cruzou para o golo de Anísio. Festejaram como adolescentes.

António Silva (7) — Seguríssimo a defender, sem dar espaço a Antonetti, evitou um golo aos 2', na proteção a Trubin e Otamendi. Também andou pelo ataque — cabeceamento perigoso aos 6' e remate à figura de Renan. Grande passe, ainda, a servir a velocidade de Banjaqui aos 13'.

Otamendi (5) — Mau atraso, sob pressão, quase proporcionou golo a Antonetti aos 2'. Também falhou o tempo de entrada sobre o avançado aos 71' que poderia ter custado caro. Foram as únicas falhas num jogo tranquilo, no qual somou várias intervenções seguras.

Dahl (6)— Remate perigoso aos 45+3' foi o ponto alto de exibição tranquila, sem grande problemas defensivos e com muitas ações no ataque.

Aursnes (6) — Com larga área de ação e liberdade, tanto estava a cortar linhas de passe e a recuperar bolas, como a finalizar na área. Aos 8' apareceu na área, antecipou-se a Luan Patrick com um toque e rematou cruzado com muito perigo. Aos 21' chegou atrasado, por pouco, para desviar para golo de cabeça. Aos 44' viu amarelo por agarrar Jorge Meireles, mas evitou males maiores e o erro tinha sido cometido por Sudakov.

Barrenechea (4) — Sem energia, talvez por ter perdido a forma, viu cartão amarelo por entrada fora de tempo e falta sobre Jorge Meireles. Pouca ou nenhuma influência.

Prestianni (3) — Pouco ou nada positivo. Falhou dribles, perdeu bolas, na direita (onde começou) e na esquerda. Sem impacto positivo no jogo, saiu aos 60'.

Sudakov (4) — Jogou no apoio a Pavlidis e decidiu quase sempre mal — no passe (aos 45' esteve na origem de contra-ataque perigoso do E. Amadora), sobretudo junto à área adversária, e no que tinha de fazer para dar seguimento positivo aos lances de ataque. Precisa de fazer muito mais e melhor.

Pavlidis (8) — Noite de redenção depois do falhanço no clássico com o FC Porto e do penálti desperdiçado com a Juventus. No primeiro remate (cabeceamento) marcou. Depois foi letal no penálti — disparo ao ângulo esquerdo. Deu-se ao jogo, acertou nos passes e combinou com os companheiros.

Barreiro (6) — Deu mais rotação ao meio-campo e fez circular, mais rapidamente, a bola. Ajudou muito mais que Barrenechea na pressão. Bom passe para Sidny (68').

Schjelderup (6) — Entrou animado e com os olhos na baliza e nos companheiros na área. Dois bons passes para Rafa e Pavlidis.

Diogo Prioste (6) — Dos pés saíram passes com a precisão  das tacadas de um bom jogador de snooker. Adulto na ocupação de espaços. Entrou bem no jogo.

Rafa (6) — Dois passes muito bons e rápidos para Pavlidis (78') e Sidny (84'). Num contra-ataque, foi possível ver que, 622 dias depois de ter jogado pela última vez pelo Benfica, ainda corre com a velocidade de pápa-léguas.

Anísio Cabral (8) — No primeiro lance deu-se à luta com um defesa-central para ganhar um canto. No segundo, 63 segundos depois de ter entrado, cabeceou para o quarto golo. Estreia de sonho. E logo aos 84' no dia em que Eusébio faria 84 anos. Melhor seria difícil.