Benfica e FC Porto já entraram no futebol em que é proibido correr e obrigatório conviver
Rute Silva, coordenadora Nacional de Walking Football acumula quilómetros de Norte a sul do país a acompanhar e fomentar o crescimento da modalidade. A coordenadora frisa que «não é obrigatório gostar de futebol» e que muitos praticantes «tocam pela primeira vez numa bola de futebol». O objetivo é promover a «alegria», o «convívio» e «novas rotinas» entre os atletas, cujas idades variam entre os 50 e os 94 anos a nível nacional.
O atleta mais velho entre todos os participantes foi destacado por Rute Silva como um exemplo do impacto do walking football na vida dos participantes mais idosos, alguns deles em processo de luto. «Temos muitas pessoas viúvas que através do walking football que ganharam novos amigos. Costumo falar do senhor Benjamim, de São Pedro do Sul que, com 94 anos, para mim é uma pessoa de referência a nível nacional. É viúvo há dois anos, os filhos estão em Lisboa e o walking football trouxe uma nova dinâmica», explicou enquanto assistia à demonstração realizada no Barreiro, a 2 de março.
A iniciativa, conta Rute, visa promover uma atividade que conta já com mais de 260 equipas de norte a sul e cerca de 2800 praticantes. A realização de torneios cabe neste momento às Associações Distritais de Futebol , mas a dirigente abre portas à criação de uma competição nacional no futuro.
Rute Silva revela mesmo que a elite do futebol português já entrou em campo: «Já temos cinco clubes da Liga com equipas de walking football: o FC Porto, a Fundação Benfica, o SC Braga, o Vitória SC e o Gil Vicente. Tentamos ter mais equipas a nível nacional para definir um arranque de uma taça e de uma liga para o competitivo.»
Já a Seleção Nacional competiu pela primeira vez em janeiro, em torneio realizado na Cidade do Futebol: «Tem sido fantástico dar oportunidade a ex-jogadores de futebol de voltarem ao campo. Vamos realizar brevemente um segundo torneio.»
A importância de uma «rede de suporte»
A construção de uma «rede de suporte» que ultrapasse as quatro linhas e reforce o apoio em «tarefas diárias» dos praticantes é objetivo intrínseco ao walking football. Esta missão, ainda assim, exige a coordenação entre as autarquias, associações de futebol e instituições de apoio a esta faixa etária, com destaque para as as universidades seniores.
A existência de dois tipos de modalidade permitem que «todos joguem, independentemente das suas competências motoras» e desmistificar o mito da existência de um prazo de validade para a prática do desporto-rei. «A percentagem de sinistros no walking football é muito baixa. As nossas regras foram pensadas para garantir a integridade física dos praticantes e foram validadas pela UEFA», garante Rute, sobre uma modalidade adaptada de uma ponta à outra do campo.
A bola, o campo [38m a 42m de comprimento x 6m de largura] e as balizas [3m de largura x 1m de altura] são mais pequenas, o jogo dura apenas 40 minutos e cada equipa apresenta cinco jogadores titulares… sem guarda-redes. Correr é proibido, assim como levantar a bola acima da altura da cintura dos jogadores e dar mais de três consecutivos na bola.
A segurança dos atletas do início ao fim é garantida pela proibição de contacto físico, regra que permite reduzir o risco de lesões para os atletas, muitos deles já por condicionados por problemas de saúde inevitáveis.
A andar também se joga futebol, convive-se e afasta-se os fantasmas da solidão para fora das quatro linhas.