Rui Costa e Mário Branco, presidente e diretor do futebol - Foto: IMAGO
Rui Costa e Mário Branco, presidente e diretor do futebol - Foto: IMAGO

Benfica: pior do que está não fica

Coincidência ou não, uma versão deste título já fez parte de uma campanha eleitoral… do outro lado do Atlântico. E, na verdade, confesso que não sei se não vai mesmo piorar

Pior do que a época miserável do Benfica (e da resignação, misturada com culpa, de sócios e adeptos, pelas eleições), é o que deixa para a(s) próxima(s).

Na liderança, já se percebeu que fica o vazio. A falta de rumo. A navegação à vista, a ausência de projeto. De planeamento. Nas contas, o passivo só cresce.

Mourinho continuará no banco. Assim o garantiu esse líder em fuga constante. A não ser que Roberto Martínez ajude ou Proença o faça em seu nome. Ou então, Florentino Pérez e o Real, porque Ancelotti não pode, Zidane não quer e experiências como as de Xabi Alonso não funcionam em balneários sem dono.

Um Mourinho que piorou os resultados de Lage e falhou na criação do processo. Mesmo insegura e sem ser apoiada por liderança firme, a equipa esteve melhor com o antecessor, que poderia não ser solução. Mas menos seria o conterrâneo.

Seria esse o último erro de Rui Costa, se não tivesse carta branca, entregue em forma de boletins de voto, para errar ad aeternum. Quantos erros, afinal, cabem em quatro anos?

No plantel, após mais 130 milhões, as dúvidas aumentaram. É Trubin realmente o número 1 dos próximos anos ou a falta de escola o deixará sempre exposto? Os dois centrais portugueses alinham à vez para manter em campo um capitão que joga para as bancadas e não para a equipa: Otamendi está em fim de ciclo há três anos. Há Dedic e Bah, sim, e um Dahl mais estável, mas ainda assim curto, e Neto, que vai para a bancada e cai sistematicamente para a B, servindo apenas de número para balancete.

Enzo pode estabilizar com alguém ao lado que não Ríos. Ríos pode ser menos caótico como terceiro médio, mas até a dupla menos má (Aursnes e Barreiro) precisa de exame mais exigente.

Schjelderup salvou-se quando ia ser emprestado. Prestianni escapou depois de ir ao Mundial. Sudakov andou preso à esquerda e agora no meio é um Rafa que nunca fez sentido o predileto. Será que o ucraniano se safa? Sidny é bidimensional, é correr e cruzar. Lukebakio nasce e morre na diagonal curta para cruzamento ou tiro ao segundo poste. E Pavlidis, ao unir todas as pontas, perde a frescura para finalizar, gesto em que não é cirúrgico.

No final disto tudo, Mourinho volta a lembrar que lhe falta a dimensão física dos rivais. Falta bem mais. Falta uma ideia coletiva, que não dependa do erro do adversário. E faltam os elos de conjunto dominador. Poderá também faltar a Champions. Mas falta, sobretudo, quem veja isto tudo.