Rui Borges, treinador de 44 anos do Sporting - Foto: EPA/Fredrik Varfjel
Rui Borges, treinador de 44 anos do Sporting - Foto: EPA/Fredrik Varfjel

Sporting: é preciso pensar em grande

Leões têm grande oportunidade de seguir em frente na Liga dos Campeões. Chegar aos quartos é o que falta para dar dimensão europeia ao projeto. Bodo/Glimt já nem é uma surpresa...

Os últimos anos trouxeram o Sporting de volta ao topo do futebol português e com os títulos chegou uma maior estabilidade diretiva, de planeamento e de estrutura, assim como de qualidade da equipa, ameaçada brevemente após a saída abrupta de Ruben Amorim e a escolha desacertada de João Pereira para o cargo de treinador. Com a decisão rápida de contratar Rui Borges, o bicampeonato e a dobradinha fizeram esquecer esse desvario do final de 2024 e os sportinguistas, mesmo agora em 2.º lugar e a quatro pontos do líder FC Porto, parecem continuar a ser os adeptos mais confiantes em solo português.

E têm razões para isso. Mesmo que por vezes se questionem os resultados contra outras equipas do mesmo nível, mesmo que se constate que não foi possível segurar uma vantagem importantíssima em Braga, o Sporting é hoje, dos três grandes, o projeto mais estável, mais forte. Só assim se justifica, por exemplo, que a saída de um jogador como Viktor Gyokeres tenha sido completamente esquecida e que Luis Suárez pareça hoje até bem melhor do que o sueco em muitos aspetos do jogo.

A classificação na fase de liga da Champions deu aos leões uma dimensão europeia essencial para que o projeto seja mais visível lá fora e por cá bem sabemos como os milhões destas vitórias e participações são essenciais, assim como os grandes negócios que dificilmente ocorrem sem provas internacionais (voltemos a Gyokeres e ao quão decisivo terá sido um hat trick ao Man. City para a saída milionária...).

Mas é preciso mais. A Liga dos Campeões está cada vez apertada entre as big-5 (neste século, houve uma só equipa fora dos campeonatos inglês, espanhol, italiano, alemão e francês a chegar a uma final: o FC Porto) e, mesmo entre essas, são cada vez menos os clubes a discutir entre si o título. Os quartos de final parecem ser o máximo a ambicionar e Benfica e FC Porto por vezes lá vão, em caminhadas europeias que já soam a épicas. É isso que falta ao Sporting: depois de vencer Man. City ou PSG, depois de mostrar qualidade em grandes palcos, é preciso chegar mais longe.

Hoje começa essa oportunidade e já nem se pode considerar que é frente à grande surpresa Bodo/Glimt porque a Europa já viu o suficiente desta heróica equipa norueguesa. Tendo em conta a alternativa, o sorteio foi simpático (até à final, se formos otimistas), mas é preciso que o Sporting esqueça o frio, o relvado e o peso histórico de chegar aos quartos. Há que pensar em grande, também lá fora. É mais do que possível!