O Elvas tem sido uma das equipas com maior destaque no futebol português Créditos: O Elvas
Mudança repentina em Elvas Créditos: O Elvas

Dos quartos da Taça a greve por salários em atraso: os dias difíceis d'O Elvas

Pouco mais de um ano de transbordar ambição, o clube alentejano vive momento conturbado. Salários e Prémios de Jogo em atraso motivaram reação radical do plantel, à deriva sem resposta da SAD

A 12 de janeiro de 2025, O Elvas surpreendeu o Vitória de Guimarães e o futebol português e qualificou-se para os quartos de final da Taça de Portugal. Em paralelo, os alentejanos lideravam confortavelmente a Série C do Campeonato de Portugal, de olhos postos na subida à Liga 3.

A campanha praticamente incólume na primeira fase, com apenas uma derrota, constrastou com resultados dececionantes na fase de apuramento de campeão, já com Bruno Dias, que substituiu Pedro Hipólito em abril de 2025, ao leme. Os alentejanos foram eliminados da passada edição da prova-rainha nos quartos de final, aos pés do Tirsense, ainda com o atual técnico da Sanjoanense.

Um ano e dois meses depois do triunfo sensacional diante dos vitorianos, o estado de espírito é completamente diferente no renovado Estádio Domingos Carrilho Patalino. O Elvas, que falhou a subida à Liga 3 na época passada, luta pela manutenção no Campeonato de Portugal e os jogadores queixam-se de salários em atrasos.

A BOLA sabe que estão em dívida os últimos dois meses de salário, prémios individuais e coletivos e serviço de take-away para alguns jogadores. O plantel recebeu pela última vez o vencimento a tempo e horas em dezembro. Apesar de lhes ter sido assegurado na semana passada que a situação seria regularizada brevemente, nada mudou até ao momento.

Em protesto contra os vencimentos em atraso, os jogadores do Elvas fizeram greve e recusaram-se a treinar na segunda-feira. O nosso jornal apurou que o plantel voltou a apresentar-se esta terça-feira, salvaguardando possíveis represálias legais. A BOLA sabe que o Sindicato dos Jogadores está a acompanhar o caso

Apesar do descontentamento e precupação face à situação salarial, O Elvas deverá ir a jogo diante do Oriental, no domingo, num altura em luta pela manutenção no Campeonato de Portugal. O clube alentejano ocupa a 9.ª posição com 28 pontos, mais um do que o próximo adversário e primeira equipa na zona vermelha da tabela.

Incerteza estende-se à SAD

O clima de entusiasmo vivido em grande parte da época passada degradou-se gradualmente e deu lugar a um ambiente de incerteza, intensificado nos últimos meses. A falta de harmonia que pauta o presente motivou o afastamento dos adeptos ao clube.

A situação agravou-se quando o suíço Loyzo Technology GmbH, detentor de 95% do capital social da SAD do clube, anunciou a «suspensão imediata de qualquer fluxo financeiro destinado a NOVOS investimentos», a 20 de fevereiro.

No mesmo comunicado, a SAD do clube garantiu que não estava «em crise» nem ia «fechar», mas anunciou a «total reestruturação e redimensionamento da sociedade» face a «24 meses de sistemático boicote ambiental, obstrucionismo contabilístico e campanhas de desinformação orquestradas por uma minoria local para para fins de poder pessoal e político».

A SAD garantiu o «fluxo mínimo de recursos económicos necessário» para honrar todos os compromissos, mas avisou que só voltaria a disponibilizar «capitais suíços para novos investimentos» quando «as autoridades competentes tiverem restabelecido a legalidade, chamando à responsabilidade quem usa o futebol e o território para os seus próprios interesses pessoais».

O nosso jornal sabe que a SAD d'O Elvas anunicou chegada de um novo investidor em reunião com os jogadores e procurou tranquilizá-los, garantindo o funcionamento incólume do clube. Vincenzo Caci, ainda assim, anunciou aos atletas a saída do cargo de presidente da SAD, após cerca de dois anos no cargo.

A regularidade do passado adiou a reação dos jogadores que, ao fim de dois meses e meios sem resposta, intensificaram os protestos.

A BOLA contactou a SAD d'O Elvas para perceber a posição da mesma sobre os salários em atraso e atual situação financeira, mas não obteve qualquer resposta.