Os desejos que pediu; Gyokeres ou Suárez e a melhor em Portugal: tudo o que disse Rui Borges
- O Gil Vicente é uma equipa com grande caudal ofensivo, que pressiona alto, espera que mantenham essa estratégia? Nas 12 passas que desejo pediu para o mês de maio?
- Desejo de um bom ano a todos, com saúde, que é o mais importante. O resto fazemos por isso. Em relação aos desejos das passas, saúde para mim e para os meus, é a única coisa que peço sempre. Já disse que o resto, a felicidade está em pequenas coisas. Se tivermos os nossos bem e do nosso lado, está tudo bem. Mais do que o maio... isso é o trabalho. Se tiver saúde, vamos fazer todos por isso, para sermos muito felizes no nosso trabalho no dia a dia. Em relação ao Gil, é uma equipa que está a fazer um campeonato extraordinário, uma boa primeira volta, em que bateu o recorde pontual do clube, uma equipa muito bem organizada, trabalhada, algumas dinâmicas que são relativamente identificáveis e conhecidas. Muito competitivos e intensos, principalmente em casa. Vão variando, em alguns jogos pressionam mais alto, noutros andam com um bloco médio à espera dos gatilhos de pressão. Acreditamos que vai variar um pouco o jogo por aí. Acredito que o Gil tente manter um bloco médio, bem posicionado, dinâmica, à espera dos timings de pressão. Com bola é uma equipa muito objetiva, muito forte em termos físicos e muito equilibrada em todos os momentos do jogo. Será um jogo claramente difícil onde o Sporting tem algumas dificuldades. Mas, é olhar para o que somos, para o que seremos capazes de fazer para ultrapassar um bom Gil Vicente.
- Sente necessidade de reforçar o plantel?
- A minha necessidade é recuperar os que não podem dar o contributo e que os que estão na CAN que voltem quando puderem. Se estiver toda a gente disponível já fico contente com o que tenho. Não estou à procura de nada nem ninguém, só de ter os meus jogadores disponíveis para dar mais soluções ao nosso dia a dia, ao nosso jogo. Para termos mais recursos para a estratégia e dinâmica da equipa, para podermos ser mais fortes. Apenas e só isso.
- Já falou dos desejos mais a nível pessoal, se pudesse escolher três desejos desportivo quais seriam?
- Não sei responder a isso, sinceramente... Para já é continuar no Sporting, já disse que sou um felizardo por fazer o que mais amo num grande clube. O resto é trabalho. Acreditar muito no nosso trabalho e crescimento e ficar na história do Sporting. Queremos lutar por tudo. Sabemos que não vamos ganhar sempre, mas não é por isso que deixaremos de ser uma grande equipa, plantel e grupo. O meu desejo é mesmo saúde para continuar a fazer aquilo que mais gosto onde quero e onde estou.
- Neste momento, para si, quem é a melhor equipa a praticar futebol em Portugal?
- Para mim é fácil responder. Já disse várias vezes que será sempre a minha. Mas a melhor equipa atual é o FC Porto, que vai em primeiro. Futebol praticado? Será sempre a minha, mesmo quando não jogar nada de jeito [risos]. Os meus são sempre os melhores, isso é garantido. Mesmo que estivéssemos em 16.º diria que a melhor equipa era a minha. Em relação ao que é pontual, o FC Porto é o melhor, vai em primeiro, está a fazer uma grande época e nunca tiro o mérito a isso. Já dizia o ano passado connosco. Esta época, para já, é o FC Porto quem vai o primeiro, com todo o mérito. Mas olho sempre para a minha equipa como a melhor.
Na época passada trabalhou quase meia temporada com Gyokeres, esta época trabalha com Luis Suárez. Qual é o melhor?
- São claramente diferentes. Dão coisas diferentes. Já falei e não me vou alargar muito em relação ao Viktor [Gyokeres]. É alguém que marcou a história do Sporting e do campeonato português e vai continuar a marcar por muito tempo. Acredito que o Luis [Suárez], à sua maneira, também vai marcar a sua estadia no Sporting e a nível nacional. São jogadores diferentes. Sou um sortudo por trabalhar com o Vitkor e com o Luis e o Fotis, que são dois grandes avançados que nos dão muitas coisas ao coletivo.
- Que cuidados pediu aos jogadores que estão aqui a trabalhar hoje na passagem de ano?
- Não pedi qualquer cuidado, eles sabem da responsabilidade que têm. São jogadores profissionais, sabem muito bem o que podem ou não fazer. Não sou polícia, nem sargento. Eles sabem que têm jogo, sabem da importância do jogo e demonstram a ambição de querer continuar a ganhar. Não tive de ter qualquer cuidado nem dar nenhum aviso. Eles são grandes profissionais, sabem que hoje viajamos e que amanhã temos um jogo importante. Sabem que vem aí um mês bastante exigente, vamos jogar de três em três dias. Só com uma semana normal, penso eu. Tirando isso é de três em três dias até ao Dragão, será um mês e meio bastante exigente, com algumas baixas. Todos sabem que têm de ter alguns cuidados com o descanso e alimentação, mas isso é o dia a dia. Acho que é natural e está dentro do profissionalismo de todos.
- Conseguir duas dobradinhas seguidas é algo que ainda nenhum clube conseguiu em Portugal. Persegue esse objetivo?
- As taças, o campeonato vamos lutar muito até final e depois tudo será consequência do nosso trabalho e da nossa capacidade. Dobradinha ou não é consequência do nosso trabalho. Não estou focado se são consecutivas, quero ganhar o próximo jogo. Serei sempre assim, o jogo com o Gil é muito difícil, fora de casa. E acredito que os nossos adeptos serão muito importantes. É muito jogo a jogo e queremos, acima de tudo, disputar todos os troféus independentemente de fazer a história ou não. Queremos muito o tricampeonato, mas temos de trabalhar muito para conseguir isso.
- O FC Porto perdeu dois pontos no campeonato, Sporting perdeu sete e o Benfica 12 , considera que ainda é candidato ao título?
- Acho que é candidato ao título. Na época passada até demonstrou isso. Não estiveram a 10, mas estiveram a oito e até nos ultrapassaram. Falta muito jogo. Se conseguirem manter o seu rigor, prestação consistente em todos os jogos. Mas, para mim, o Benfica mantém-se na corrida apesar da diferença pontual. No futebol já vi acontecer muita coisa e não é nada de extraordinário, está dentro da corrida, mas claro que a margem é menor. O FC Porto está a fazer uma grande primeira volta. Nós temos de fazer a nossa parte e esperar pelo desenrolar da época, mas naquilo que são os nossos objetivos, o Sporting, como é lógico, quer ganhar todos os troféus onde está inserido, quer disputar as finais, vamos fazer muito por isso.
- Fase às lesões e às ausências de jogadores na CAN tem conseguido potenciar alguns jogadores e também jovens. Com a janela de transferências de inverno aberta o que precisa para o plantel?
- Preciso de recuperar os meus. Não estou aqui obcecado com nenhuma posição. Se acrescentarmos alguma coisa ou alguém em alguma posição específica será sempre numa perspetiva de futuro e não pelas ausências de agora ou pela seleção, lesões, nada disso. Será sempre por um conhecimento do que nos poderá dar algo no imediato, mas mais até numa perspetiva futura de nos tornarmos mais fortes e de ser um jogador de futuro no Sporting. Não estou obcecado por isso nem muito preocupado com o mercado. Estou preocupado com os meus. Se estiverem ligados e motivados, se o plantel perceber que tem a confiança do treinador, que todos são importantes e que todos têm oportunidades e é isso que tem acontecido. Respeitam-se muito, acreditam muito uns nos outros, e é essa união que me satisfaz. Foco-me no que tenho e sou feliz com aquilo que tenho.
- O Gil Vicente vai perder Pablo Felipe, o goleador da equipa que, provavelmente já não jogará amanhã. Isso beneficia o Sporting ou cria mais dúvidas?
- Para nós, equipa técnica, não muda nada. O Pablo voltou agora, tinha jogado o Varela. Não sei se joga ou não, mas pode jogar novamente o Varela, que fez alguns jogos seguidos. São jogadores diferentes, mas com as suas qualidades. O Varela fez uma época muito boa na equipa B do Benfica, este ano está a crescer, tem um potencial enorme. Jogarão com onze. É uma equipa muito ligada. Todos sabem muito bem o que têm de fazer dentro do coletivo. Estamos muito mais focados no coletivo deles do que no individual. É uma equipa muito equilibrada, será difícil de bater, e precisaremos de estar super concentrados e ligados.
- Pode fazer um ponto de situação do boletim clínico?
- O Blopa está fora. Por lesão, só posso dizer isso.