Nuno Santos ficou no chão agarrado à coxa esquerda para desespero de todos - Foto: Miguel Nunes
Nuno Santos ficou no chão agarrado à coxa esquerda para desespero de todos - Foto: Miguel Nunes

Opinião clínica sobre Nuno Santos: «É preciso ajudá-lo»

Artur Pereira de Castro, especialista em ortopedia e traumatologia e medicina desportiva, que foi médico dos leões durante mais de uma década, realça a importância de apoio psicológico prestado ao ala do Sporting

O historial de lesões de Nuno Santos faz com que cada queda ou queixa do camisola 11 seja de alerta. No relvado do Complexo Desportivo do Alverca, o ala ficou caído, aos 26 minutos, naquele que foi o regresso à titularidade após o fatídico jogo com o Famalicão, a 26 de outubro de 2024, que o afastou dos relvados por longos 15 meses, foi momento de grande apreensão.

A BOLA falou com Artur Pereira de Castro, especialista em ortopedia e traumatologia e medicina desportiva, que entre 2000 e 2011 assumiu o departamento clínico dos leões, que realçou ser uma situação considerada normal, tendo em conta o tempo de inatividade em competição do atleta.

Artur Pereira de Castro, ortopedista especialista em medicina desportiva - Foto: D. R.

«Supostamente é uma lesão muscular, que carece de exames médicos complementares para se perceber qual é a extensão. É perfeitamente normal que algo do género aconteça a um jogador que esteve tanto tempo parado e enfrentou processo que enfrentou. É natural que perante isto tenha entrado em pânico, porque depois de tanto tempo parado vê à frente mais umas semanas de paragem, tempo que irá depender dos exames vai fazer», começou por dizer.

É natural que perante isto tenha entrado em pânico, porque depois de tanto tempo parado vê à frente mais umas semanas de paragem

O clínico destacou, ainda, um factor que não pode ser descurado: «A condição mental é algo que tem de ser gerida. É, de facto, um choque para o atleta, depois de tudo o que passou, sofrer outra lesão, por mínima que seja. É tratá-lo do ponto de vista psicológico, anímico e tentar ajudá-lo o mais possível. É minimizar esta lesão, comparando com tudo o que lhe aconteceu, até porque é na perna contrária, apesar de ser dramático isto ter-lhe acontecido no jogo em que voltou a ser titular não é fácil. Agora é tratar a lesão e tratar a cabeça.»

O facto de ter sido acarinhado por todos, assim como sentir-se peça importante após a longa paragem é, na opinião de Pereira e Castro, importante para a período que se segue, não querendo, no entanto, apontar tempo de recuperação: «Esperemos que a paragem não seja muita longa, tudo depende da extensão da lesão.»