Sporting: «Contem comigo, ainda tenho muito mais para dar», diz Nuno Santos
O jogo da 1.ª mão dos oitavos de final da UEFA Champions League, derrota leonina com o Bodo/Glimt (0-3), foi de má memória mas antecedeu uma das noites de maior glória europeia dos verdes e brancos, que fizeram a reviravolta (5-0) em Alvalade uma semana depois.
Em ambos os encontros participou Nuno Santos, que na Noruega assinou o jogo 200 pelos leões. Uma marca que fica assinalada na história e que foi o mote da Sporting TV para conversa com o ala de 31 anos, que voltou à competição em fevereiro depois de 15 meses sem jogar a recuperar de intervenção ao joelho direito, devido a rotura total do tendão rotuliano.
Significado da marca atingida
«Simboliza muita coisa. Uma passagem de muito esforço e dedicação, com fases boas e menos boas, mas guardo tudo muito bem na minha cabeça. Pessoas e colegas de equipa muito diferentes desde o primeiro ano até agora, à sexta época, treinadores também, mas sem dúvida de que foi um grande passo na minha carreira.»
As seis temporadas no Sporting em poucas palavras
«É difícil. Quando falo em momentos difíceis foi a lesão, porque o resto são aprendizagens, como quando não conseguimos ser campeões ou ganhar títulos. Por isso, numa palavra só: sonho.»
O clube
O que representa o Sporting
«Representa muito, porque vim para cá há muito tempo e a minha família também é muito feliz aqui. Vivo para o Sporting, é a minha segunda família, embora na realidade seja a minha primeira todos os dias, porque é onde passo mais tempo. Foi um passo muito bom na minha carreira e onde estou muito feliz.»
O que diferencia o ambiente do clube
«Desde o início que o balneário foi criado para conseguir o que temos feito até ao dia de hoje. É uma família, tudo a remar para o mesmo lado e atrás do mesmo objetivo, que é pôr o Sporting onde merece estar.»
Amadurecimento ao longo das temporadas
«Sou uma pessoa com um feitio especial. Gosto das coisas sempre corretas, não gosto de perder, mas sempre respeitando e sem passar por cima dos outros. Nestes últimos anos, aqui, aprendi muito com toda a gente e tenho um carinho muito grande por toda a gente. Os troféus são aquilo que levamos para a frente e nos dá vontade de continuar a ganhar, mas sem dúvida que aprendi muito aqui. Gosto muito de estar no Sporting.»
A importância no balneário
«Sinto e gosto de sentir essa responsabilidade. O que lhes passo sempre é que nunca se cansem de ganhar, sempre, todos os dias. Essa responsabilidade torna-me, também, um jogador mais forte e com um espírito de grupo muito forte.»
A lesão
A recuperação da grave lesão
«Foram 15 meses em que toda a gente aqui foi muito importante para mim. Era o primeiro a chegar e o último a sair e só tenho a agradecer, porque sem as pessoas do Sporting e da Academia nada era possível.»
Regresso aos relvados com o Aaves SAD
«Veio muita coisa à cabeça, porque eram muitos meses sem jogar, mas sem receio ou medo. Só com vontade de ir lá para dentro e voltar a fazer o que mais gosto. Já tive outras lesões graves e com a primeira aprendi que se tivesse medo era pior. No futebol, se voltas é porque estás bem e a cabeça manda em tudo.»
O regresso à ação com um dos jogos mais importantes da carreira
«Agora, junto o jogo com o Aves SAD, porque, depois de tanto tempo, foi o que me marcou mais. Também diria este com o Bodo/Glimt, porque voltar depois de tanto sofrimento e conseguir fazer história no Sporting, com a passagem aos quartos e depois de um resultado negativo, foi muito bom para nós. Para mim foi especial e obrigado a quem acreditou. O Nuno está de volta e vai continuar a ser o mesmo Nuno de sempre.»
Os momentos
Top-3 momentos no Sporting CP
«Sem dúvida, o número um é o primeiro título de campeão, depois de tantos anos. Depois, o meu primeiro dia aqui no Sporting, quando assinei, e o ano da dobradinha.»
Golo mais especial
«O primeiro na UEFA Champions League [no 2-4 com o Ajax em 2021/2022], mas também o meu primeiro no Sporting. Se não me engano, contra o Portimonense, de cabeça.»
Os filhos, os adeptos...
Paixão pelo futebol e pelo Sporting partilhada com os filhos
«Já jogam à bola, sentem e cresceram a ver o pai no Sporting. Não conhecem outro clube e gostam muito. Quando tentam brincar com eles, dizem sempre que são do Sporting, além disso jogam os dois no Sporting e são muito felizes. Eles são como eu: quando o Sporting perde, choram e sentem muito. Estão habituados a ver o Sporting a ganhar, por isso quando não acontece ficam tristes. Já lhes disse que não se ganha sempre, mas vamos fazer sempre tudo para ganhar.»
Reconhecimento dos adeptos
«Sem dúvida que sim. Quando vim, e como tinha passado por um rival, muitos não acreditavam, mas com o passar dos anos consegui transmitir que poderiam contar sempre comigo. Acho que isso começou cedo e agora, com seis épocas, ninguém desconfia de nada e acreditam sempre no Nuno como um líder, como um porta-voz e como alguém que conhece bem a casa. Obrigado aos adeptos por sentirem isso comigo e fico muito feliz porque também são muito especiais para mim.»
O que ainda o surpreende?
«Todos os dias somos surpreendidos com alguma coisa. No primeiro ano não tivemos adeptos [nos estádios] mas foi uma festa fantástica, e agora o estádio está sempre cheio para nos apoiar. É isso que tento pedir, também nos momentos menos bons, e eles têm sido incansáveis. Espero que continuem porque precisamos sempre muito deles. São o nosso 12.º jogador.»
Jogar no Estádio José Alvalade
«Nós, cá em baixo no relvado, sentimos. Ainda agora com o Bodo/Glimt sentimos muito. Sempre que o guarda-redes tentava perder tempo, os adeptos assobiavam, levaram com muita pressão e isso também fez com que conseguíssemos a vitória.»
A ambição continua
«Não me canso de ganhar. No futebol, o objetivo é ganhar sempre e espero continuar a ganhar muitos títulos pelo Sporting.»
Palavras para o Nuno Santos que chegou ao Sporting em 2020
«Diria para ser feliz e aproveitar todos os momentos. Os menos bons para aprender ainda mais, os bons, os títulos, para desfrutar. Depois de todas as adversidades que já passei, sei que ainda tenho muito mais pela frente.»
Mensagem aos sportinguistas
«Contem comigo, porque ainda tenho muito mais para dar. Agradecer, também, tudo o que fizeram pelo Sporting nestes anos, pelo apoio incondicional, e que acreditem sempre em mim e neste grupo. Temos muitas coisas bonitas para fazer e espero ter ainda mais do que 200, 300 ou 400 jogos pelo Sporting.»
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