Mundial
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No Mundial, os jogos ganham-se nos últimos 20 minutos: será Cristiano Ronaldo a jogá-los?
Ao minuto 75, 90% dos jogos de futebol ainda não têm o resultado definido. E os mais importantes são os últimos 20 minutos. Se esperamos que os primeiros dois primeiros da fase de grupos, com a RD Congo e o Uzbequistão, se decidam antes dos 75 minutos, com a Colômbia e nos 5 jogos que Portugal ambiciona fazer até ganhar a final, só se irão decidir no final.
A escolha dos minutos que Cristiano Ronaldo vai jogar vai revelar a estratégia de Roberto Martínez — é em Ronaldo que vai apostar para ganhar os jogos ou é em Gonçalo Ramos, um super suplente no Paris Saint Germain?
Os minutos decisivos, com as defesas desgastadas e com mais espaço, vão ser jogados por quem? Num jogo que seja decidido nos penáltis, Cristiano vai estar em campo ou já terá sido substituído?
Na final da última Champions League, Dembélé, o Bola de Ouro, saiu aos 90 minutos e Gonçalo Ramos jogou o prolongamento — marcou um dos penáltis que decidiram a Champions.
O que decidirá Roberto Martínez? O que preferiria Cristiano Ronaldo? E Gonçalo Ramos? No Euro 2016, era impossível Portugal ter chegado à final sem Cristiano Ronaldo, mas já não estava em campo quando a ganhámos — não foi menos importante nem festejou menos por isso.
A festa no Marquês de Pombal
A frieza com que o Marquês de Pombal foi reagindo à carreira de Portugal no Mundial 2022 encontra a explicação no que se passava no interior do grupo. Até aos quartos de final, uma meia dúzia de carros terá passado a apitar. Com a derrota frente a Marrocos, a festa não chegou a começar.
Na avaliação que será feita da participação no Mundial que hoje começa para Portugal, Cristiano Ronaldo vai ser sempre o grande protagonista. Se atingirmos a final, será a sua consagração. Se formos eliminados antes, será considerado um fracasso, com a responsabilidade a ser apenas partilhada com o selecionador nacional.
Sebastião José Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, governou de forma autoritária, utilizando os poderes ilimitados que lhe foram conferidos pelo Rei D. José I.
Reconhecido hoje pelo que fez de excepcional, da reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755 ou pela criação e demarcação da primeira região vinícola do mundo, o Douro, o tempo foi permitindo esquecer as suas atitudes sanguinárias. A família Távora, falsamente acusada de perpetrar uma tentativa de atentado ao Rei, foi assassinada de forma cruel. A Marquesa de Távora, foi apenas decapitada.
O marido e os filhos, o mais novo com 22 anos, foram sujeitos a tortura, incluindo terem sido partidos os ossos dos braços e das pernas antes de serem estrangulados. Quando o Rei D. José I morreu, a sua viúva, a Rainha D. Maria I, assumiu o trono e ordenou a revisão do anterior processo judicial. Foi reconhecida a inocência da família — tinha sido sujeita a perseguição política. De imediato afastou o Marquês, que terminou os seus dias ostracizado em Pombal.
Vem de longe a cultura de medo e subserviência dos portugueses ao poder em exercício. Se cair em desgraça, a subsequente expressão pública de repugnância.
Como vivo perto do Marquês de Pombal, participo sempre, muitas vezes sem fazer questão nisso, nas festas de celebração de campeonatos. Este ano, a novidade foi a festa espontânea de umas centenas de adeptos do FC Porto. Essa festa ter sido encarada com naturalidade pelos 99% de lisboetas que não são portistas, confirma que o ambiente entre os adeptos é saudável e foi eliminada a violência no futebol que existia antes do Euro 2004. Que se viva uma grande festa no Marquês, com todos os portugueses unidos no apoio à Seleção Nacional.
Inferno da Luz será a contratação mais importante para o Benfica em 2026/27
O Benfica parte para a época 2026/27 com dois objetivos, ser campeão nacional e, 65 anos depois, voltar a vencer uma competição europeia — hoje só possível em épocas que não disputa a Champions. Se vencer a Liga Europa, todo o grupo ficará imortalizado na história do Benfica.
Na época que agora terminou, o campeão FC Porto fez 88 pontos, 45 no Dragão. O Benfica fez 80, apenas 39 na Luz. A diferença final foi de 8 pontos — 6 deles nos jogos em casa. O Benfica até marcou mais 8 golos que o FC Porto (74-66), mas sofreu mais 7 (25-18) — esta diferença no número de golos sofridos é significativa (+38%).
O inferno da Luz, existia mesmo e empurrava a equipa do Benfica — sobretudo no final de cada uma das duas partes, em que o adversário era encostado à sua área. A pressão era sentida apenas no campo, porque os adversários sempre puderam festejar tranquilamente em todas as bancadas no estádio da Luz.
De Inferno, a Luz tem evoluído a Purgatório. Desde uma assobiadela monumental quando o Qarabag, sem acertar na baliza, fez o primeiro remate num jogo que o Benfica estava a ganhar 2-0 (acabou por perder 2-3) ao vulcão que ajudou a empatar com o FC Porto quando perdia por 0-2. Sobretudo, com o SC Braga, quando o jogo estava empatado e o Benfica precisava de paciência, até marcar um golo para ganhar e se qualificar para a Champions.
O público assobiava constantemente quando o SC Braga tinha a posse de bola (o seu ponto forte) e intranquilizou a equipa — a estratégia do Benfica era aproveitar o cansaço do adversário para ganhar nos últimos 15 minutos (como tinha feito em Alvalade).
Em termos individuais, António Silva foi o mexilhão que se lixou com a má época de Otamendi e a constante irregularidade de Trubin.
Otamendi cometeu erros grosseiros em jogos que custaram pontos e foi expulso irresponsavelmente no jogo decisivo em Famalicão. Em Alvalade, por exemplo, Trubin estava desastrado, nervosíssimo, já tinha sido salvo pela barra num momento infeliz. Depois de defender o penálti, ganhou confiança e o jogo virou.
No ambiente do Dragão e da Luz e nos triângulos Diogo Costa, Bednarek e Kiwior e Trubin, Tomás Araújo/António Siva e Otamendi, o Benfica perdeu o campeonato.