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Palmeiras agradece ao SC Braga e... à FIFA
José Sá, Ricardo Velho, Tomás Araújo, Samú Costa, Pedro Neto e Francisco Trincão não são apenas motivo de «orgulho»… Os internacionais portugueses também têm sido um garante de subsistência para o emblema palmeirense.
Com o clube quase a entrar na terceira idade (fundado em 1965), o protocolo assinado no início da década passada com o SC Braga tem funcionado como uma bomba de oxigénio. Se, por um lado, numa fase embrionária, o Palmeiras recebe, faz crescer e dá visibilidade aos futuros craques arsenalistas, por outro, mais tarde, recebe as devidas contrapartidas.
Fala-se, aqui, do mecanismo de solidariedade da FIFA, que é ativado sempre que um jogador que tenha passado pelos escalões de formação do clube é transferido. «É algo vital, sobretudo, para um clube como o Palmeiras, em que há uma dívida muito avultada. Os mecanismos de solidariedade permitem a sustentabilidade do clube e, arrisco-me a dizer, a existência do mesmo até aos dias de hoje. Se não fosse isso, se calhar, muito dificilmente estaríamos aqui a conversar e com o clube em atividade», enalteceu o presidente Pedro Soares, em entrevista a A BOLA.
O dirigente crê que, no futuro, essas compensações vão continuar a ser importantes e até já esfrega as mãos com uma (eventual) saída de Francisco Trincão do Sporting: «Acredito que voltaremos a receber mais contrapartidas do mecanismo de solidariedade da FIFA, pela qualidade de formação que temos. Além disso, há jogadores neste momento em atividade, como, por exemplo, o Trincão, em que se tem falado que poderá ser transferido… Tudo o que sejam essas transferências fará com que voltemos a acionar o mecanismo de solidariedade.»
Equipas B mexem com os mais pequenos
Pedro Soares não perdeu oportunidade de louvar o protocolo com os guerreiros do Minho, que «permitiu ter qualidade» nos vários escalões de formação e, assim, estabilizar o clube nos campeonatos nacionais, quando ainda não era permitido haver equipas B em tais patamares: «O Palmeiras funcionava como sendo essa equipa B do SC Braga e pudemos, daí, beber imensa qualidade e viver essa experiência num patamar em que nunca tínhamos estado por tanto tempo, falando dos iniciados (sub-15) e juvenis (sub-17).»
«Todo este projeto foi possível pela qualidade dos intervenientes que agora estão a dar frutos na seleção», vincou o presidente, antevendo a participação de Portugal no Mundial, mas lembrando também outros craques que por lá passaram, como Pedro Gonçalves (Pote) e Francisco Moura.
Porém, com a entrada das formações B nos nacionais, em 2022, o Palmeiras quebrou e acabou por cair para as distritais. Ainda assim, Pedro Soares revelou que o projeto da atual Direção passa por voltar a elevar o clube aos patamares de outrora: «O Palmeiras é um sítio onde continua a haver muita qualidade. Naturalmente que, com a criação das equipas B do SC Braga, se não pudermos ter a qualidade a 90%, acredito que a temos a 60 ou 70%.»
Questionado se considera que a atual conjuntura pode vir a comprometer as verbas que se tem habituado a receber relativas ao mecanismo de solidariedade da FIFA, Pedro Soares respondeu que não acredita que comprometa «na totalidade».
O responsável pelo conjunto da vila de Palmeira revelou ainda que o protocolo com guerreiros do Minho deverá manter-se em vigor, pelo menos, até 2029. «Estamos em processo de negociação, mas temos praticamente a certeza de que será negociado e fechado, pelo menos, até 2029, que coincide com o término do mandato do presidente António Salvador.»