Dani Olmo e Vozinha no Espanha-Cabo Verde. Foto IMAGO
Dani Olmo e Vozinha no Espanha-Cabo Verde. Foto IMAGO

Há um(a) Vozinha que avisa Portugal

Chegou o dia da estreia no Mundial... e não faltam alertas à Seleção para não esperar facilidades, o mais recente dado por Cabo Verde. Mas Roberto Martínez parece já apontar à fase a eliminar

Seis dias depois do início do Mundial, Portugal entra finalmente em campo, para defrontar a RD Congo, esta tarde, a partir das 18h00. Com as casas de apostas e os power rankings dos principais sites de estatísticas a colocarem a seleção lusa entre o 4.º e o 6.º lugares dos maiores candidatos à vitória final, muitos adeptos pensam que a Seleção terá um passeio no parque em Houston. Pura ilusão.

Há, aliás, um(a) Vozinha que avisa Portugal para não esperar facilidades — a do heróico guarda-redes de Cabo Verde, que juntamente com mais dez intrépidos tubarões conseguiu parar a favoritíssima Espanha, na segunda-feira, em Atlanta.

E a Espanha é melhor que Portugal. E a RD Congo, em teoria, é mais forte que Cabo Verde (embora não defenda tão bem). Achar que basta entrar em campo é perigoso, e já outros exemplos foram dados neste Mundial para a necessidade de não subestimar adversários, do empate do Brasil com Marrocos ao empate da Suíça com o Qatar, do empate dos Países Baixos com o Japão ao empate da Bélgica com o Egito, passando pelo empate do Uruguai com a Arábia Saudita (bem, perante este cenário, se calhar nem seria mau para Portugal empatar...).

O problema é que, temo, Roberto Martínez está a dar a passagem à fase a eliminar como dado quase adquirido, e orientou a preparação em função disso. Ele próprio admitiu que haverá dois Mundiais, um da fase de grupos, o outro a seguir.

E a forma como a preparação de Portugal decorreu, não só a circunstância de não ter ensaiado, em jogos de preparação, aquele que se espera que venha a ser o onze titular, mas também o facto de ter sido a última seleção a chegar à América do Norte, nem atingindo os dias recomendados para adaptação à diferença horária, denota que a preocupação é que a Seleção esteja no máximo lá mais para a frente. Estes três jogos da fase de grupos são um prolongamento da preparação; o Mundial a doer começa nos 16 avos de final, parece pensar o selecionador.

Faz todo o sentido... se correr bem. Estamos perante a maior (em número de seleções e duração) competição de sempre, e apontar o auge da equipa logo para os primeiros jogos poderá ter consequências mais para a frente (a final do Mundial é daqui a quatro semanas e meia, a 19 de julho).

Mas há um risco, e ignorar a Vozinha que avisa que a RD Congo não será pera doce é algo a que Portugal não se pode dar ao luxo. Acredito que não o fará, mas estou muito menos confiante que a maior parte dos adeptos.

O onze provável de Portugal para o jogo com a RD Congo:

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