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Dez razões para não subestimar a RD Congo
Portugal inicia hoje a sua caminhada no Mundial frente à República Democrática do Congo. Para muitos adeptos, trata-se de uma estreia acessível. No entanto, quem acompanha o futebol africano sabe que essa pode ser uma perspectiva precipitada.
Ao longo dos últimos anos tive o privilégio de viver o futebol africano por dentro, incluindo uma Taça das Nações Africanas ao serviço da Nigéria. E há uma ideia que ficou clara: África mudou.
As seleções africanas continuam a apresentar intensidade, força física e velocidade, mas acrescentaram organização, experiência internacional e uma confiança competitiva que não existia há duas décadas.
O recente jogo entre Nigéria e Congo, no apuramento para o Mundial, foi um excelente exemplo dessa evolução. O Congo teve mais posse de bola, criou mais oportunidades e apresentou um valor de xG (golos esperados) muito superior ao da Nigéria. Em muitos momentos foi claramente a equipa mais perigosa.
Por isso deixo dez razões para Portugal não subestimar este adversário.
1. Porque sabe jogar com bola. O Congo não vive apenas da transição. Tem capacidade para construir e controlar momentos do jogo.
2. Porque já não sente inferioridade. Esta geração cresceu a competir nos melhores campeonatos do mundo.
3. Porque cria oportunidades. Os números frente à Nigéria mostram uma equipa ofensivamente ambiciosa.
4. Porque tem um líder chamado Chancel Mbemba. O capitão, atualmente no Olympique de Marselha, continua a ser uma referência do futebol africano pela experiência, personalidade e capacidade competitiva.
5. Porque possui um dos laterais mais difíceis de ultrapassar. Aaron Wan-Bissaka, atualmente no West Ham United, é fortíssimo no duelo individual e pode anular muitos dos desequilíbrios portugueses pelos corredores.
6. Porque Meschack Elia pode decidir um jogo. O extremo do Young Boys, da Suíça, foi o jogador mais perigoso frente à Nigéria e representa uma ameaça constante na profundidade.
7. Porque Arthur Masuaku acrescenta qualidade. O lateral do Beşiktaş combina experiência internacional com uma excelente capacidade de cruzamento.
8. Porque Noah Sadiki simboliza a nova geração africana. O médio do Union Saint-Gilloise, da Bélgica, dá inteligência, critério e capacidade de ligação entre setores.
9. Porque Cédric Bakambu continua a ser perigoso. O avançado do Real Betis conhece bem o futebol europeu e mantém uma capacidade de finalização que exige atenção permanente.
10. Porque acredita verdadeiramente. E esta talvez seja a maior diferença relativamente ao passado. Esta seleção entra em campo convencida de que pode competir com qualquer adversário.
Portugal continua naturalmente a ser favorito. Tem mais profundidade de plantel, mais qualidade individual e mais soluções para resolver momentos difíceis.
Edgar Morin defendia que os sistemas complexos valem mais do que a simples soma das suas partes. O Congo parece ser precisamente isso: uma equipa organizada, competitiva e capaz de superar o valor individual dos seus jogadores.
Porque a República Democrática do Congo não veio para participar. Veio para competir e discutir o resultado até ao apito final.