«Este Bernardo existia na cabeça de algumas pessoas, não de todas»
— Falou aqui há um mês de Bernardo Silva e chocou-nos um bocadinho a todos que, de repente, o Flamengo pudesse ir buscá-lo…
— Fui que falei isso ou foi a imprensa que falou? Aqui fala-se de muita coisa. O Bernardo é um jogador que conheço desde miúdo, dos meus tempos de Benfica. Além disso, a sua grande ascensão é com o Leonardo. E foi verdade que brincámos um dia com ele. Sei lá, «não queres vir para o Flamengo»? Mas não foi um objetivo no sentido de que vamos fazer uma proposta. E ele até nos disse logo para onde é que ia, portanto, por isso eu sei para onde é que ele vai. Mas não foi uma possibilidade. Foi mais uma brincadeira. E depois aqui a imprensa pegou isso como uma realidade.
— Não vou pedir que revele a confidência, claro, mas vou perguntar-lhe como vê este reconhecimento todo à volta de alguém que conhece profundamente e é português? E, sobretudo, este reconhecimento do Manchester City de Guardiola a um jogador como o Bernardo?
— O Bernardo… Eu lembro-me da primeira vez…
— Este Bernardo já existia?
— Depende. Existia na cabeça de algumas pessoas, da cabeça de outras não existia, porque era pequenino, era isto, era A primeira vez que vi o Bernardo foi num jogo, não sei se sub-17, naqueles campos anexos ao Casa Pia. Aqueles sintéticos pequenos. E ele pensava dez vezes mais rápido que toda a gente, os colegas, os adversários… E essa característica é normalmente marcante nos jogadores de alto nível. Além disso, ele teve sempre uma resiliência muito grande, porque, como sabes, e todos nós sabemos, não foi consensual, vá lá, até aos 19 anos, não é? Foi sempre um jogador que teve algumas dificuldades em se impor e essa resiliência depois também se nota naquilo que foi a carreira dele. Para mim, aquilo que define o Bernardo é a velocidade de raciocínio, a inteligência tática, que era uma coisa que ele já trazia nele, não é? E aquilo foi, claro, se aprimorando ao longo dos tempos.
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