Mundial
Mundial
O elogio ao erro
É comum dizer-se que o erro faz parte do processo de evolução. Acredito muito nisso, tanto na vida como no futebol.
A meio da segunda ronda de jogos dos grupos, é possível identificar algumas seleções que, após uma entrada menos positiva no Mundial 2026, identificaram os erros cometidos, analisaram-nos, reconheceram-nos e decidiram promover alterações com impacto direto e positivo nas suas performances.
A Espanha mudou substancialmente de um jogo para o outro. Depois do surpreendente empate frente a Cabo Verde, Luis De La Fuente percebeu que jogar sem extremos que garantissem largura, profundidade e capacidade ofensiva no um para um havia sido um erro.
Bastaram quatro alterações para que o momento ofensivo espanhol voltasse a ter fluidez, agressividade e acutilância ofensiva. Pedro Porro, Dani Olmo e Lamine Yamal sobre a meia direita estiveram em sintonia, garantindo dinamismo e eficácia. Baena sobre a esquerda foi multifacetado o suficiente para saber quando teria de ser extremo, segundo avançado ou quarto médio quando a Espanha atacava.
O 4-0 final sobre a Arábia Saudita mostra-nos que a exibição frente a Cabo Verde poderia ter sido outra. Mas também nos mostra o reconhecimento do erro e a capacidade para encontrar soluções para o mesmo.
Ronald Koeman viu fugir dois pontos frente ao Japão depois de uma exibição pouco inspirada do ponto de vista coletivo, na qual foi evidente a falta de mentalidade competitiva para segurar a vantagem com bola e impedir o assédio nipónico.
Ao contrário do homólogo espanhol, Koeman não promoveu uma revolução tática no onze inicial. Mexeu apenas no centro do ataque, o suficiente para que o coletivo funcionasse melhor.
Com Brian Brobbey na posição 9, os Países Baixos passaram a ter quem segurasse a bola e ligasse o jogo com os médios e extremos. Tão ou mais importante do que isso, contou com Donyell Malen sobre a direita na primeira parte.
O avançado da Roma não marcou, mas soube preencher os espaços em corredor central, juntando-se a Brobbey, permitindo a Cody Gakpo, sobre a esquerda, ter mais liberdade de movimentos e um raio de ação mais alargado.
Koeman sentiu ainda que podia acrescentar algo mais e, ao intervalo, lançou Crysencio Summerville para o lugar de Mallen, dando mais imprevisibilidade ao ataque holandês.
O 5-1 sobre a Suécia diz-nos que os Países Baixos não só melhoraram de um jogo para o outro como ainda melhoraram dentro do próprio jogo. Sinal claro de humildade, inteligência e liderança por parte do seu selecionador.