Zalazar na cadeira do poder até lhe cortarem as pernas (os jogadores do Sporting)
A analogia é um bocado óbvia mas é quase obrigatória de se fazer. Salazar sentou-se na cadeira do poder de Portugal por via não democrática e geriu o Estado Novo com mão de ferro, só de lá saindo quando caiu de uma cadeira e ficou com danos cerebrais irreversíveis. Rodrigo Zalazar chegou há pouco tempo em Alvalade mas sentou-se na cadeira do poder do ataque fruto da imensa qualidade e dos milhões de euros (30) colocados pelos leões nos cofres na conta do SC Braga. Se preciso fosse, na Reboleira deu mais uma prova de qualidade, com um golo num passe à baliza desviar a bola de Leo Linck e com um trabalho magistral sobre a direita a entregar o couro redondinho para Ioannidis ampliar a vantagem. Estava o uruguaio sentado confortavelmente na cadeira com vista desafogada para a vitória quando dois companheiros decidiram errar (muito) e o leão caiu com estrondo.
Rui Silva (4) — Abordagem mais do que deficiente no lance do segundo golo do Estrela, quando tentou afastar a bola rematada por Beni Souza só com a mão esquerda e esta entrou direitinha na baliza, deixando os adeptos leoninos inconsoláveis. Se o primeiro remate certeiro tricolor tinha sido consentido a frio, neste já estava bem quentinho, mas ficou o leão congelado. E a avaliação só não é mais negativa porque logo a seguir, com uma parada à andebol, evitou o 3-2 para os da casa num remate de Marcus Abraham. Desta vez sentou-se no banco dos réus e foi condenado pelo tribunal verde e branco.
Vagiannidis (5) — Na bitola habitual desde que chegou ao reino de Alvalade: nem especialmente bem, nem, desta vez, especialmente mal. Mas numa estrada muito longe de justificar os €12M que o Sporting pagou ao Panathinaikos pelo seu passe, faz agora um ano.
Eduardo Quaresma (5) — É verdade que faz cortes absolutamente fantásticos que colocam os adversários a precisar de ansiolíticos para não entrarem em depressão profunda, mas, de um momento para o outro, coloca-os esfuziantes com erros terríveis para a sua equipa. Fica a questão: com a experiência já acumulada, ainda não aprendeu que não pode desistir de um lance antes de o árbitro assinalar falta? Confiou na decisão do VAR na jogada com Antonetti, este arrancou por ali fora, rematou para o Estrela reduzir e o jogo ser relançado.
Gonçalo Inácio (5) — Com a braçadeira de capitão, não se lhe ouviram muitos berros a dar voz de comando para que os companheiros se acalmassem quando o Estrela começou a levantar-se do chão. E quanto aos passes que costumam quebrar as linhas dos oponentes, nem um para amostra…
Rodrigo Dias (6) — Sem que nada o previsse, foi chamado à titularidade e, se tivermos como velha máxima a que diz que a primeira missão de um defesa é… defender, cumpriu. É verdade que muito poucas vezes se afoitou no ataque, contudo, é preciso ter calma: foi a estreia oficial pelo Sporting.
Altimira (5) — É muito cerebral e tenta pautar os ritmos de jogo, porém, é demasiado posicional para uma equipa grande e confere pouca amplitude ofensiva. A rever, pois nos últimos encontros da pré-época já parecia mais desinibido.
Issa Doumbia (5) — Por vezes dá a sensação de ter quatro pulmões e outras tantas pernas, mas no José Gomes esteve tempo demais desligado da ficha, com pouca eletricidade. Tentou mais em força do que em jeito, e há ocasiões em que a arte supera a espontaneidade.
Geny Catamo (6) — Ficou ligado positivamente ao primeiro golo com o bailado na direita e a assistência para Zalazar. Sem ser brilhante, quando saiu, o Estrela cresceu, até porque demonstrava compromisso defensivo. Como alguém escreveu: não há coincidências…
Flávio Gonçalves (7) — Está encontrado o novo menino bonito que entra diretamente para o coração sportinguista. Mesmo quem está muito habituado a lidar com palavras fica com falta de adjetivos para qualificar aquela variação de flanco para Geny Catamo na jogada do primeiro golo. Mas esse foi só um pormaior, numa exibição com imensos pormenores deliciosos. Saiu do terreno de jogo e levou com ele a magia, ficando Zalazar órfão do novel companheiro de aventuras mágicas no onze de Rui Borges.
Ioannidis (6) — Só fica um ponto acima da nota positiva porque empurrou uma bola para golo. De resto, demasiado ansioso para marcar. Tão ansioso que o estado de nervos se propagou às bancadas do leão…
Suárez (4) — Em 2025/26 teve os pés a ferver de tantos golos que marcou, mas na Reboleira entrou com a cabeça a ferver. Não segurou uma bola de costas para a baliza, viu um amarelo desnecessário e só não viu o segundo porque o árbitro avisou o capitão Inácio para acalmar o seu recruta.
Silas Andersen (5) — Forte nas bolas altas defensivas, a dar para o fracote na ocupação de espaços.
Fresneda (5) — Ainda impediu algumas investidas dos amadorenses, mas no segundo golo dos da casa não cortou o ângulo de remate a Benny Sousa.
Luís Guilherme (5) — Ainda ajudou a fechar uma ou outra vez, mas não abriu horizontes à equipa.
Jesse Derry (—) — Apenas se viu quando o árbitro lhe mostrou um amarelo.