Pablo Longoria, Presidente do Marselha e dirigente espanhol
Pablo Longoria, Presidente do Marselha e dirigente espanhol - Foto: IMAGO

Novo capítulo da crise em Marselha: é a vez de sair o presidente

Pablo Longoria prepara saída do clube, mas negociações adivinham-se complicadas, após a reviravolta de Benatia no cargo de diretor desportivo e a demissão de De Zerbi

Afastado da gestão desportiva na recente reorganização do Marselha, o presidente, Pablo Longoria, pretende negociar a saída do clube, segundo o L'Équipe. Contudo, o seu lugar no conselho de administração da Liga Francesa de Futebol Profissional (LFP) poderá complicar o processo.

Apesar do comunicado de Frank McCourt, proprietário do clube, que visava apaziguar a crise interna, o futuro do espanhol no emblema francês permanece incerto. Na sequência da reestruturação, o presidente espanhol viu as suas funções limitadas a um papel de representação em organismos como a LFP e a Associação Europeia de Clubes (EFC).

Esta nova realidade não agrada a Longoria, que se sentiu profundamente afetado pela forma como a decisão foi comunicada, sem ter sido consultado ou sequer avisado previamente por McCourt. Com a área desportiva agora sob o controlo exclusivo do diretor de futebol, Medhi Benatia, o dirigente de 39 anos considera que a única solução é a sua saída, após quase cinco anos no cargo, que assumiu em fevereiro de 2021.

O presidente aguarda agora o início das negociações formais entre o seu advogado e os representantes do proprietário. No entanto, a resolução não se afigura simples. O principal obstáculo reside no facto de o lugar de Longoria no conselho de administração da LFP ser um cargo pessoal e não institucional. Uma eventual saída do espanhol implicaria que o Marselha perdesse a sua representação nesta importante instância, uma vez que o lugar seria sujeito a nova eleição.

A complexidade aumenta porque, para ser elegível para o conselho de administração da LFP, é necessário ter, no mínimo, um ano completo de mandato como presidente ou, excecionalmente, como diretor-geral. Atualmente, ninguém na estrutura do Marselha cumpre este requisito para poder candidatar-se em caso de vaga. Nem mesmo Shéhérazade Semsar de Boisséson, vice-presidente do conselho de fiscalização e emissária do acionista, que acompanhou Longoria nas últimas reuniões.

Para Frank McCourt, a presença do clube na LFP é de capital importância, o que transforma o lugar de Longoria no principal trunfo negocial. Ambas as partes manifestam o desejo de encontrar «uma saída pela porta grande», evitando um conflito aberto que poderia agravar novamente o ambiente no clube, que só agora começa a serenar.