Neymar, avançado brasileiro, mostra-se, durante um jogo do Santos, incrédulo após lance mal finalizado pelo próprio
Neymar, avançado de 33 anos, está no Santos, clube no qual foi formado, desde janeiro deste ano

Neymar?

JAM sessions é o espaço de opinião semanal de João Almeida Moreira, jornalista e correspondente de A BOLA no Brasil

Por ter sido mais vezes gritado, cantado, aplaudido, saudado, ovacionado e aclamado do que simplesmente falado, alguém escreveu um dia que o nome de Pelé se devia escrever Pelé!, assim mesmo, com o ponto de exclamação anexado à alcunha mais famosa do mundo do futebol — e de todos os outros mundos.

Neymar, outra estrela made in Santos Futebol Clube tão ou mais famosa do que o Rei, menos graças ao rendimento em campo e muito mais por causa da força das redes sociais e da globalização dos tempos atuais, justifica, a cada temporada que passa, ser escrito Neymar?, com um ponto de interrogação adjacente.

É mais talentoso do que Zico, Romário, Ronaldo Fenómeno e outros apóstolos de Pelé? Vai ser tão bom como Messi ou Cristiano Ronaldo ou até superá-los? Triunfará no Barcelona? Levará o Paris Saint-Germain a uma ansiada vitória da Liga dos Campeões? Liderará algum dia o Brasil rumo ao hexa mundial? Jogará três ou quatro vezes seguidas no Al Hilal? Mas e o Al Hilal precisa mesmo dele?

Vai passar mais tempo em pé ou caído durante os jogos? Mais tempo a jogar ou no departamento médico? Mais a tempo a treinar ou a comentar as últimas do Big Brother Brasil, a envolver-se em controvérsias estéreis na net, a cantar música brega, a apostar em desportos de teenager? Vai, finalmente, crescer? Quem decide que passos dar na carreira, ele ou o ganancioso pai?

Nos últimos tempos, três novas interrogações: Carlo Ancelotti vai, de facto, contar com ele na seleção? Depois de ter custado, até ver, 260 mil euros por jogo, e atuado por 90 minutos numa partida apenas, continuará no Santos? Ou permitirá que a última imagem dele no clube seja a de uma expulsão por ter pontapeado um rival e marcado um golo com a mão numa derrota caseira?

O atacante tem todo o direito de não querer se esforçar para ser melhor do que Zico, Romário ou o Fenómeno, do que Messi ou CR7, até triunfou, e muito, no Barça e parte das lesões que sofreu foram por pura infelicidade. Mas a outra parte resultou da ausência de um estilo de vida pouco profissional que o resumiu a um estorvo ruinoso em Paris, na Arábia Saudita e, agora, na Vila Belmiro.

Neymar?, este, o com o ponto de interrogação, sabota o Neymar, aquele que poderia ser uma certeza, porque vive rodeado de gente que o trata como um bebé reborn, que o mantém numa redoma de luxos e privilégios, de desculpas e mimos. Alguém escreveu também um dia que se não tivesse nascido homem, Pelé teria nascido bola. Neymar tem crescido numa bolha.

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