Farioli no jogo com o Sporting, com Mora à espreita... - Foto: Catarina Morais/Kapta+
Farioli no jogo com o Sporting, com Mora à espreita... - Foto: Catarina Morais/Kapta+

FC Porto: Farioli tem de mudar outra vez

Lesões abalam a equipa, mas há mais razões para mudar. Ainda há muitas jornadas pela frente e há jogadores a pedir para perder o lugar cativo. Rodrigo Mora está lá, lembram-se?

O FC Porto parte para a 22.ª jornada da Liga com quatro pontos de vantagem sobre Sporting e Benfica (este último com mais um jogo). À equipa de Francesco Farioli faltam difíceis deslocações à Luz, Braga e Estoril, por exemplo, mas já amanhã há jogo na Madeira e não é preciso recuar muito mais do que um ano para recordar como o Nacional sabe ser o princípio do fim.

Para tentar voltar às vitórias, depois da derrota com o Casa Pia e o empate no clássico, os dragões não vão ter um dos melhores jogadores - Kiwior, que estava de regresso ao centro da defesa, com efeitos positivos visíveis -, nem o elemento que lhes garantia mais golos e perigo - Samu, afastado por lesão até ao fim da época. Se no caso do central há um senhor chamado Thiago Silva sempre à espreita de lugar no onze, para o espanhol não há, neste momento, substituto à altura. Moffi ainda tenta estar bem fisicamente e Deniz Gul estava desenhado para ser o terceiro ponta de lança da equipa, aquele que entra de vez em quando para marcar um golo nos últimos minutos e criar bom ambiente - não muito mais do que isso.

Mas as lesões não são a única razão para obrigar Farioli a mudar para enfrentar o que ainda falta. Na defesa, Francisco Moura já vinha sendo relegado para o banco e contará muito pouco para a equação depois das últimas exibições. Zaidu anda por lá esquecido, mas já provou várias vezes poder ser o mais disciplinado aluno de qualquer treinador. Já lá para a frente tornou-se previsível (e desesperante) a quantidade de vezes que Samu tinha de recuar, receber a bola de costas e tentar distribuir, roubando-lhe o poder de fogo que realmente fazia a diferença na área adversária. Gabri Veiga e Borja Sainz precisam de parar e há um rapaz chamado Rodrigo Mora que não corre nem defende tanto como eles, mas que pelo menos é capaz de inventar algo novo. E agora há Fofana, que entra bem na área e remata, que é coisa que parece que assusta os médios e extremos nesta altura.

O italiano já mostrou que não tem problema em adaptar-se a novas circunstâncias e elas aqui estão: o FC Porto já não é invencível, não consegue superiorizar-se aos rivais em casa e até o azar de defender um penálti na compensação mas sofrer na recarga já chegou. Quando foi preciso criar uma equipa líder, Farioli criou-a num instante. Quando foi preciso mudar peças, Farioli mudou. Quando foi preciso recuar para segurar resultados, Farioli mandou. Agora será preciso arriscar um bocadinho para voltar a ganhar (e até, quem sabe, voltar a jogar o que já jogaram esta época...).