Zaccharie Risacher passou as últimas duas temporadas nos Atlanta Hawks - Foto: IMAGO

NBA: de primeira escolha no 'draft' a ser trocado... em apenas dois anos

Do topo do Draft para fora dos planos: Zaccharie Risacher foi número 1 em 2024 e, este verão, já foi incluído numa troca, rumando aos Dallas Mavericks, onde tentará relançar a carreira

Há histórias de jogadores que precisam de tempo para confirmar o estatuto de primeira escolha do Draft, mas a de Zaccharie Risacher está a tomar um rumo bem mais estranho: dois anos depois de ter sido escolhido com o número 1, o francês já foi colocado numa troca e deixou de fazer parte dos planos dos Hawks. Aos 21 anos, está agora perante a necessidade de reconstruir uma carreira... que mal começou.

Risacher chegou à NBA em 2024 como a primeira escolha de uma classe que nunca foi apontada como particularmente talentosa. Ainda assim, ser o número 1 traz consigo um peso especial: a expectativa de que a franquia encontrou uma peça para construir o futuro. Em Atlanta, porém, o francês nunca chegou verdadeiramente a assumir esse estatuto.

Na primeira época, ainda foi titular em 73 dos 75 jogos disputados, com médias de 12,6 pontos e 24 minutos por partida. O segundo ano deveria representar o salto natural, mas aconteceu precisamente o contrário. Risacher caiu para 9,6 pontos e 22 minutos por jogo, além de ter perdido volume de lançamento e importância na estratégia ofensiva.

O mais insólito foi o desaparecimento progressivo do francês. Em março, perdeu definitivamente o lugar no cinco inicial e, a partir daí, os Hawks começaram a encontrar uma fórmula que prescindia cada vez mais dele. A situação chegou ao ponto máximo a 9 de abril, dia em que completou 21 anos: pela primeira vez na temporada, Risacher não entrou sequer em campo, ficando os 48 minutos no banco frente aos Cavaliers.

Risacher terminou a segunda temporada com menos de 750 pontos, entrando num grupo extremamente reduzido de primeiras escolhas do Draft dos últimos 50 anos a atingir esse registo em pelo menos 40 jogos. Só Kwame Brown e Anthony Bennett — conhecidos busts (ou fracassos, em português) — tinham feito pior nesse período.

O francês chegou à NBA com características que faziam dele um potencial grande jogador: 2,03 metros, mobilidade, capacidade para defender várias posições e um lançamento exterior competente. Mas, até agora, não conseguiu transformar essas ferramentas numa verdadeira especialidade.

Moeda de troca

É aqui que a história ganha uma dimensão particularmente invulgar. Risacher acaba de ser incluído numa troca apenas dois anos depois de Atlanta ter apostado nele com a primeira escolha absoluta. Não é simplesmente um jovem que não conseguiu afirmar-se: é um jogador que, em pouco mais de 24 meses, passou de rosto potencial do futuro da franquia a peça negociável.

O francês segue para os Mavericks numa operação a três franchises que envolve também os Thunder. Em Dallas, o cenário poderá ser bastante diferente. Em vez de lhe pedir que seja a estrela que justifique imediatamente uma escolha tão elevada, a equipa pode simplesmente procurar que seja uma peça útil ao lado de Cooper Flagg, outra primeira escolha que chega à NBA carregada de expectativas.

E talvez seja precisamente disso que Risacher precise: menos holofotes, menos comparação com outros números 1 e um contexto onde possa crescer sem a obrigação de provar, a cada noite, que mereceu ter sido escolhido primeiro. Aos 21 anos, ainda vai muito a tempo de relançar a carreira e esquecer o que se passou em Atlanta.

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