Marítimo: retomar o futuro
Não posso deixar de corresponder à solicitação do prestigiado Jornal A BOLA, do qual testemunho muitos de nós, ainda bastante jovens, na sua leitura reforçámos como ler e escrever Português, assim desmentindo as referências dolosas dos fraudulentos intelectuais da bica que reduziram Portugal a isto.
O Marítimo vive a sua segunda ressurreição na I Liga do futebol nacional, num período já com vários decénios, o qual iniciou-se com a justiça político-desportiva de um clube dos arquipélagos portugueses ter acesso a este nível, verificados os requisitos de mérito.
Curiosamente, as duas vezes de tristes consequências foram da responsabilidade de uma maioria relativa de sócios, psicossocialmente caracterizados, que não a maioria absoluta de sócios e de adeptos.
Dois momentos de características autofágicas, uma vez ao ponto de até enjeitar soluções, hoje já não possíveis na conjuntura nacional a que se chegou, que facultariam ao Marítimo se consolidar no plano maior do futebol português.
Felizmente que, quando pela segunda vez o barco parecia afundar, sem alternativa, os sócios tiveram o bom senso de escolher pessoas consideradas responsáveis na opinião pública madeirense.
Porém, à chegada, repetiu-se a cena de os cofres estarem vazios.
Logo a direção atual fez um esforço inteligente para conquistar o Campeonato Nacional da II Liga, numa recuperação e estabilização notáveis e sem revanchismos para com os que haviam comprometido o futuro.
Na situação interna actual do clube e face à presente conjuntura do futebol nacional de alta competição — que, por razões da ética, prefiro não comentar — o Marítimo, este ano, sabe o que objetivo só poder ser o de manutenção na I Liga.
Julgo que houve o cuidado de explicar aos jogadores que, para além da prioridade de sustentação da Instituição de Utilidade Pública Club Sport Marítimo (inclusive regularização de um património que integra um estádio em boa hora legalmente cedido pelos meus governos, bem como a propriedade de outros recintos desportivos, terrenos, imóveis, etc., sobretudo o significante Museu do Clube), repito, julgo ter sido explicado algo bem importante aos jogadores.
Que o Marítimo é uma montra onde qualquer atleta tem uma oportunidade única para se revelar. Demonstrar-se capaz de voos mais altos em Portugal Continental ou na Europa.
O Marítimo não entrará em loucuras.
O futuro dos jogadores, em qualquer modalidade, está nas mãos deles próprios.
E, a par, louve-se o facto de esta direção do clube manter a indispensável formação, e não apenas no futebol.
É verdade que não é fácil recuperar quando, sobretudo por erros próprios, se bateu no fundo.
Felizmente que o sangue que corre nas veias do Marítimo é a dedicação e o empenho dos seus sócios e adeptos.
A todos estes incumbe o dever de serem os pilares da sustentação de um esforço dirigente, mesmo enfrentando dificuldades enormes.
Até porque não se sabe ainda o dia em que, fatalmente, este grande clube nacional de uma ilha pequena deparar-se-à, inadiável, com a imposição dos tempos que já se vivem. A imprescindibilidade dos Investidores privados. Que, óbvio, não abdicam de mandar no seu dinheiro.