Benfica: FC Porto maior que o Milan
A três dias de San Siro soprar as velas do seu 100.º aniversário, o Benfica escreveu finalmente a sua página de ouro naquele estádio lendário. A maldição de San Siro caiu ontem e a águia quebrou décadas de tabu. Ali nunca vencera nem Inter nem Milan, e em 1965 até viu fugir uma final europeia contra os nerazzurri.
Apesar do peso histórico do triunfo, a análise mais esclarecedora de Milão não se pode resumir nos 90 minutos. Está também na ficha de jogo desenhada por Marco Silva, que rodou muita gente na equipa titular - assim como o Milan, ainda que menos. Curiosamente, se fosse por investimento no mercado - falando de compras - talvez este onze inicial estivesse mais vezes em campo que aquele que tem jogado. Mas como o preço de aquisição não dita quem joga, as coisas devem voltar à «normalidade» de início de época no Dragão.
As escolhas de Marco Silva em San Siro e a exibição produzida devem ainda levar a uma reflexão. Quanto tempo é necessário para se sentenciar sobre um futebolista? Os desempenhos de Kaminski e Lukebakio deixaram garantias sobre a utilidade de ambos, assim como El Karouani e Circati. Banjaqui mostrou maturidade e pelo que se tem visto está mais perto de discutir com Bah o lugar ainda que, convenhamos, o rapaz tem 18 anos e margem para errar, o que pode suceder a qualquer momento.
O que fica é que ao prescindir de algumas peças nucleares no arranque da fase de liga da Liga Europa, Marco Silva expôs com clareza a sua lista de prioridades, ao mesmo tempo que ganhou a confiança do grupo, de Trubin a Durán.
O duelo contra o FC Porto vale a liderança isolada da I Liga e um impacto psicológico avassalador nas contas do título nacional.
Um triunfo em Milão gera prestígio histórico, tem grande impacto internacional, mas estamos numa fase da prova em que uma derrota nada hipotecava. A «facilidade» com que as «segundas opções» dominaram o Milan demonstrou que a Europa, nesta fase inicial, oferece uma margem de erro que a batalha interna com o FC Porto recusa.
Marco Silva tratou San Siro como laboratório de luxo, mas assumiu de forma clara que o verdadeiro teste de competitividade terá lugar no Dragão. As escolhas em Itália não deixam dúvidas: para o treinador, neste momento, o FC Porto é desafio maior, mais relevante que o Milan. Até porque a visita encarnada é (quase) sempre o jogo do ano no Dragão.