Michael Carrick com Kobbie Mainoo
Michael Carrick com Kobbie Mainoo - Foto: IMAGO

Não contava para Amorim e é aposta de Carrick: «Não foi difícil pôr Mainoo a jogar»

Treinador elogia médio de 20 anos e fala do seu estilo de liderança

Michael Carrick está a viver um período de sucesso como treinador interino do Manchester United, tendo levado a equipa ao quarto lugar da Premier League após somar 13 pontos em cinco jogos. A sucessão de Ruben Amorim, no mês passado, foi coroada com o prémio de treinador do mês da liga inglesa, impulsionado por vitórias consecutivas sobre os rivais Manchester City e Arsenal.

Uma das marcas da sua liderança tem sido a aposta em Kobbie Mainoo, um jovem de 20 anos da formação do clube. O médio, que não contava para Amorim e não tinha sido titular em nenhum encontro da Premier League sob o comando do português, tornou-se uma peça fundamental na equipa. Carrick descreve Mainoo como um «enorme talento» e reforça a importância de manter a tradição de 88 anos do clube de incluir sempre um jogador da formação em todas as fichas de jogo.

Numa entrevista à BBC, Carrick sublinhou a importância da academia, um pilar que considera fundamental e que se reflete na recente estreia de Tyler Fletcher, o 258.º jogador da formação a chegar à equipa principal.

A aposta na formação é uma paixão antiga para o técnico, que se sente orgulhoso em manter a tradição do clube de ter sempre um jogador da academia na ficha desde a década de 1930. «É algo a que nos devemos agarrar. É nisto que este clube se baseia», declarou.

Questionado sobre Mainoo, o treinador revelou que o conhece desde que o jovem tinha 13 ou 14 anos, quando começou a tirar os cursos de treinador. A ascensão do médio é vista com naturalidade, sendo um reflexo do trabalho desenvolvido em Carrington.

«Tem tido um desempenho em grandes jogos bastante incrível para a sua idade. Esquecemo-nos de quão novo ele ainda é. Eu era um grande fã de o ver jogar e sabia do que ele era capaz. Por isso, não foi uma decisão tão grande nem tão difícil pô-lo jogar», afirmou.

Apesar de reconhecer que há aspetos a melhorar, Carrick explicou que a sua abordagem tem sido cautelosa. «Não lhe tenho dado muita informação - algumas pequenas indicações, um pouco sobre posicionamento e outros pormenores -, mas confio no que ele é. É um futebolista fantástico e tem um talento enorme», acrescentou, explicando que o objetivo é permitir que o jogador encontre o seu ritmo de jogo naturalmente, aceitando que tem uma abordagem mais pessoal do que estatística.

Convite chegou a conduzir

O antigo médio, que se comprometeu com o clube até final da época, recordou como foi contactado para assumir o cargo e substituir Amorim.

Carrick revelou que estava a conduzir para Newcastle quando recebeu o convite: «Foi bom ouvir aquilo, claro, mas na verdade mantive-me bastante calmo», afirmou. «Não sei porquê, mas pareceu-me certo. E não estou a ser arrogante ou indiferente, mas pareceu-me bastante normal. Senti-me bem, mas estou aqui há tanto tempo e vivi tanta coisa que, provavelmente sempre esperei que a oportunidade surgisse, e felizmente surgiu.»

Apesar da calma, Carrick admitiu ter ficado «encantado» e primeira pessoa a quem ligou foi à mulher. «Estar neste clube é especial, mas não foi desligar o telefone a gritar e a celebrar na autoestrada ou algo do género. Apenas liguei à minha mulher e disse: 'aconteceu isto, estamos neste ponto'», contou.

A mensagem inicial para os jogadores foi de apoio. «Estou aqui para vos apoiar. Estou aqui para vos ajudar. Estamos aqui para vos puxar por vocês», partilhou. «No final de contas, queremos obter bons resultados, mas há formas de o fazer e espero que eles tenham sentido esse apoio até agora.»

Questionado sobre o seu estilo de liderança, Carrick enfatizou a importância da ligação humana em detrimento de uma abordagem puramente tática. «Gosto de estar rodeado de pessoas. Gosto de partilhar coisas», explicou. «Acho que tirar o melhor das pessoas — seja na televisão, no desporto ou nos negócios — passa por tratá-las com respeito. A parte técnica e tática pode ser melhorada, mas se não houver uma ligação, uma vontade de te seguir, tudo o resto perde valor.»

Sobre o seu futuro no cargo, Carrick foi pragmático, mas apaixonado. «Para mim, é a função suprema. Estou a gostar muito, adoro o que estou a fazer. Sinto-me privilegiado», afirmou. «Há o lado sentimental de compreender a função, de ter crescido no clube, de amar o clube e de ser um adepto. Mas, na verdade, estou aqui para fazer um trabalho, para construir uma boa equipa e ter sucesso.»

«Não decido quanto tempo isso vai durar, mas adoro estar aqui e, enquanto cá estiver, darei tudo o que puder», concluiu.