Rui Miguel recorda «jogo anedótico» e acredita que Vitória pode vencer o dérbi
Como é apanágio, o Vitória de Guimarães terá de partir muita pedra, para ganhar num estádio onde venceu apenas duas vezes, em 23 jogos, desde que foi inaugurado, a 30 de dezembro de 2003 (num SC Braga 1-0 Celta de Vigo). Rui Miguel que o diga. O ex-médio dos conquistadores foi o primeiro a marcar de D. Afonso Henriques ao peito na Pedreira, apenas ao quinto dérbi lá realizado (a 2 de abril de 2010). O viseense não estava, ainda assim, a par de tal dado: «Não sei se fui eu… fui eu?»
Em entrevista a A BOLA, Rui Miguel, que inaugurou o marcador aos 18', recordou esse encontro, que terminou com uma derrota amarga para os da cidade-berço, com quatro jogadores expulsos (Valdomiro, Andrezinho, João Alves e Desmarets), três pénaltis contra e o golo da derrota (3-2) sofrido aos 90+6': «Foi anedótico e estava a ser um grande jogo. Só que epá... alguns pénaltis que o Artur Soares Dias marcou… Nem os jogadores do SC Braga queriam acreditar, foi mesmo caricato.»
«Mas, tirando os momentos que estragaram o jogo, o ambiente desse foi espetacular», recordou, pela positiva, perspetivando o mesmo para o desafio do próximo sábado entre conquistadores e guerreiros, agendado para as 20h30, no Estádio Municipal de Braga: «Espero que seja quentinho, com o estádio cheio, à imagem do que é um dérbi.»
O antigo médio, que representou os vitorianos em 2009/10 e 2010/11, salienta que a formação orientada por Luís Pinto precisa de vencer este jogo, em especial, para se colar aos lugares de acesso às competições europeias: «Ao contrário do que aconteceu na Taça da Liga, agora, a vitória não vale um título, mas pode valer muito para aquilo que é o futuro da classificação final nesta liga, porque o Vitória está um bocado atrasado quanto ao objetivo a que se propõe todas as épocas. Não se pode atrasar mais.»
«Espero que se repita o resultado da final da Taça da Liga [2-1 para os conquistadores]», assumiu, entre risos, acrescentando que «estes jogos são sempre 50/50», voltando a sublinhar que «o Vitória não pode sair de Braga sem pontos».
Quanto ao momento de forma das equipas, o ex-atleta, de 42 anos, vê «um SC Braga muito agressivo no aspeto ofensivo, com muita posse de bola, e jogadores criativos, que fazem a diferença de um momento para o outro». Por seu turno, descreve «um Vitória de altos e baixos, mas que também tem vindo a crescer, em relação àquilo que era a equipa há uns meses.»
«Os jogadores [do lado do castelo] que estão a aparecer estão a aparecer muito bem. Há muito mérito do treinador e da direção. Em todas as épocas têm aparecido jogadores atrás de jogadores», acrescentou o craque, que pendurou as botas no Trofense, em 2019/20.
Rui Miguel fez ainda questão de enaltecer a ajuda, sempre importante, da «massa associativa vimaranense, que empurra a equipa e é a grande força do clube».