Mundial: Pumas e All Blacks nas meias-finais
Hemisfério Sul-Hemisfério Norte, 2-0. Para já, é esta a contabilidade nos dois primeiros duelos dos quartos de final do Mundial França-2023 entre as duas linhas que dividem o mundo.
A Argentina e a Nova Zelândia são os primeiros semifinalistas da 10.ª edição do campeonato. Os Pumas bateram o País de Gales por 17-29, enquanto os All Blacks venceram a n.º 1 do ranking Irlanda, por 24-28, prolongando o fantasma irlandês que volta a cair nos quartos de final num Mundial. Assim Argentina e Nova Zelândia defrontam-se sexta-feira no Stade de France, Paris.
No primeiro duelo entre Europa e Hemisfério Sul, em Marselha, o País de Gales (7.º) teve na mão a terceira passagem do seu historial às meias-finais, mas acabaria por ser a Argentina (8.ª) a regressar a esta fase pela terceira vez após as edições de 2007 e 2015.
Numa partida em que o árbitro Jaco Peype viria a ser substituído, por Karl Dickson, aos 15m por lesão, o País de Gales atravessará o Canal da Mancha mais cedo do que pensava e terá pesadelos durante anos com esta eliminação: esteve em vantagem por 10-0, graças a Dan Biggar, no adeus à seleção. Os números que iam caindo das costas das camisolas dos dragões vermelhos antecipavam que a pele não iria aguentar perante o crescimento dos Pumas (10-6 ao intervalo).
As penalidades de Emiliano Boffelli colocaram os sul-americanos na frente, Biggar repôs vantagem ao País de Gales (17-12), mas, a 15m do final, dois ensaios de Joel Sclavi (68') e do veterano Nicolas Sanchez (77'), este último numa interceção a um passe do jovem Sam Costelow, atiram as esperanças galesas ao tapete.
18 jogos depois a Irlanda perdeu
Em Paris, Stade du France, a tricampeã mundial, Nova Zelândia (4.ª) resistiu à poderosa número 1 mundial, desde julho 2022, que não perdia há 17(!) jogos. A Irlanda reviveu a maldição e agonia de ter chegado oito vezes aos quartos de finale acabado oito vezes eliminada.
Num final de jogo épico, os All Blacks, a vencerem por 24-28, resistiram a 37 fases de jogo à mão irlandês até Samuel Whitelock, com 151 internacionalizações, roubar a bola que valeu a passagem aos 80m que vão discutir o acesso à final do França-2023.
A Irlanda do veteraníssimo Johnny Sexton - despede-se da seleção - recuperou de duas desvantagens, 0-13 para 10-13 e 10-18 para o 17-18 que se verificava ao intervalo.
No 2.º tempo, o máximo que os irlandeses conseguiram foi um ensaio de penalidade e, mesmo a jogar em superioridade, não lograram derrubar o muro neozelandês. Vão para casa.