«Mourinho tinha razão»: espanhóis analisam arbitragem na Europa
A contestação à arbitragem tornou-se um tema recorrente nas principais ligas europeias, com um sentimento de descontentamento a crescer jornada após jornada. A polémica, que abrange Serie A, Premier League, LaLiga e, claro, a Liga, tem levantado questões sobre a qualidade, os critérios e a pressão a que os árbitros estão sujeitos.
«Arbitragem europeia no olho do furacão» - é o nome do artigo da Marca que analisa o clima de tensão em torno da arbitragem na Europa, recordando as palavras do treinador do Tenerife, Álvaro Cervera, há um ano: «Estou cansado dos árbitros, não são os protagonistas, embora o estejam a ser». Este desabafo acaba por ecoar por todo o continente.
Itália e Inglaterra em pé de guerra
Em Itália, o clássico entre a Juventus e o Inter foi a gota de água. A expulsão de Kalulu na primeira parte, que contribuiu para a derrota da vecchia signora por 2-3, gerou uma onda de críticas. Giorgio Chiellini foi contundente, afirmando que «o espetáculo ficou manchado por esta decisão». O antigo defesa acrescentou ainda: «É incrível que não se possa corrigir a partir do VAR. O sistema não funciona. Chegámos a um ponto sem retorno».
As críticas estendem-se a outras figuras, como o treinador do Nápoles Antonio Conte, que em fevereiro considerou que «não é uma boa temporada para a arbitragem e o VAR», e o jogador Leonardo Spinazzola, que exigiu que os árbitros assumissem as suas responsabilidades.
Na Premier League, a contestação parte até de antigos membros da classe. Mark Halsey, ex-árbitro inglês, criticou duramente Howard Webb, chefe da Associação de Árbitros do Futebol Profissional Inglês. «Há falta de liderança e gestão. Leva três anos no cargo e não fez o suficiente. Toda a gente tem um prazo de validade e chegou o momento de ele sair», declarou Halsey. O próprio Webb admitiu que «o nível da arbitragem baixou e está a piorar», numa altura em que o VAR é cada vez mais questionado.
Espanha e Turquia agravam a crise, com Mourinho envolvido
Na LaLiga, a situação é descrita pela Marca como «insustentável», com clubes de várias divisões a manifestarem-se contra a arbitragem. A pressão sobre os juízes é enorme, e o Caso Negreira continua a fazer correr muita tinta e a provocar trocas de acusações entre Real Madrid e Barcelona.
Na Turquia, o escândalo atingiu proporções ainda maiores. A federação de futebol suspendeu 149 árbitros e assistentes por envolvimento em apostas. Uma investigação em larga escala revelou que 371 dos 571 árbitros federados possuíam contas de apostas, confirmando as suspeitas levantadas por José Mourinho na sua primeira época no futebol turco, quando afirmou que «esta liga cheira mal». Este caso de corrupção abalou a credibilidade da arbitragem no país e leva a Marca a escrever: «Mourinho tinha razão.»
Com o foco dos espanhóis a virar-se para Portugal, a Marca também destaca as críticas de arbitragens que FC Porto, Sporting e Benfica têm protagonizado na presente temporada.
Fazendo um balanço geral, a Marca conclui que nas competições europeias, a média de intervenções do VAR por jogo é de 0,47 na Champions League, 0,40 na Europa League e 0,31 na Conference League. Num total de 396 partidas analisadas, o VAR realizou 159 correções de decisões em campo, sendo que 68% destas estiveram relacionadas com golos, o que alimenta a frustração de muitos adeptos, que se queixam de já não poderem celebrar os golos de imediato.
Em Itália, a situação é tão tensa que levou a que a Serie A agendasse uma reunião para o próximo dia 23 de março entre clubes, treinadores e árbitros para encontrar soluções. A polémica subiu de tom após o Inter-Juventus, com o presidente da liga, Ezio Simonelli, a lamentar a situação atual: «A Itália foi um dos primeiros países a assinalar que o protocolo do VAR não era o adequado. Se nos tivessem escutado, agora não nos encontraríamos nesta situação.»
A tensão extravasou o campo desportivo, com consequências graves. O árbitro do referido jogo, La Penna, apresentou queixa na polícia, segundo a imprensa local, devido a comentários de ódio e ameaças de morte recebidas nas redes sociais. Este episódio sublinha a urgência de encontrar uma solução para o clima de crispação que rodeia o futebol.
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