Sobreviveu a cancro para celebrar a medalha olímpica
A canadiana Piper Gilles conquistou a medalha de bronze na dança no gelo nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, um triunfo que surge apenas três anos depois ter sido diagnosticada com cancro do ovário.
A atleta de 34 anos, que fez par com Paul Poirier, celebrou efusivamente a sua primeira medalha olímpica, um momento que admitiu nunca ter imaginado durante a sua batalha contra a doença. O diagnóstico de cancro do ovário em estadio 1 chegou a 16 de janeiro de 2023, precisamente no dia do seu 31.º aniversário.
«Foi tão, tão assustador», confessou Gilles numa nova série documental da Netflix, «Glitter & Gold: Ice Dancing», onde partilhou a sua experiência. Além do medo pela sua saúde, a patinadora questionou-se se conseguiria continuar a competir.
Após a performance vitoriosa, Gilles deixou uma mensagem de esperança. «Penso que é um grande exemplo para qualquer pessoa que esteja a passar por um momento sombrio, problemas de saúde mental ou física, de que se podem fazer coisas difíceis, aconteça o que acontecer», afirmou à Skate Canada. «Podemos simplesmente sair da cama, continuar a acreditar em nós próprios e a perseguir os nossos sonhos, e tudo pode acontecer».
A patinadora procurou ajuda médica após sentir sintomas vagos, como náuseas, dores semelhantes às menstruais no lado esquerdo e fadiga persistente. Exames revelaram um quisto de quase nove centímetros no ovário esquerdo, com um tumor associado. A deteção precoce, segundo escreveu no Instagram, salvou-lhe a vida.
"The moment that we stopped, I think we came back into our bodies and were like, 'Oh my gosh! We just did that!'"
— The Olympic Games (@Olympics) February 16, 2026
🇨🇦 Piper Gilles on the feeling of having a near-perfect skate in her Olympic free dance alongside Paul Poirier, earning bronze.@TeamCanada pic.twitter.com/ZFdV8nbwk5
Gilles foi submetida a uma cirurgia para remover a massa tumoral e teve a sorte de não necessitar de tratamentos adicionais, como quimioterapia. O regresso ao gelo aconteceu em fevereiro de 2023, embora com limitações. «Aumentei lentamente a intensidade dos meus treinos enquanto usava uma cinta de compressão de gravidez para manter tudo seguro», explicou à Toronto Life.
Apesar de hoje estar livre de cancro, a atleta revelou que demorou cerca de dois anos e meio a sentir-se novamente ela própria, tendo vivido com o receio de uma recidiva durante o primeiro ano após a cirurgia.
A luta de Gilles contra o cancro foi também motivada pela memória da sua mãe, Bonnie, que faleceu em 2018 devido a um glioblastoma, um cancro cerebral. «Lutei por ela», disse na série da Netflix, referindo-se à mãe como a sua «heroína, motivadora, maior crítica e maior apoiante».
«Se ela pudesse ver-me e o que estou a fazer, ficaria orgulhosa. Fez-me apreciar cada momento da vida. Todos os dias que acordo e vou para a pista de gelo são uma bênção, mesmo que seja difícil. Fico feliz por poder passar pelas dificuldades, porque a alternativa é muito pior», concluiu.